Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Sob críticas, Quintão não cuidará mais da articulação do governo com Senado

Secretaria ficará com Paulo Bauer; deputado tratará de 'projetos prioritários' do Planalto

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

30 de janeiro de 2019 | 17h56

BRASÍLIA - O deputado Leonardo Quintão (MDB-MG) não vai mais cuidar da articulação política do governo com o Senado, conforme havia sido anunciado pelo ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Embora ainda não tenha saído sua nomeação, Quintão já despacha no quarto andar do Palácio do Planalto, mas agora tratará de projetos de interesse do governo no Congresso, como a reforma da Previdência, e não do relacionamento com os senadores. Nos próximos dias, a Secretaria Especial da Casa Civil para o Senado será ocupada pelo tucano Paulo Bauer.

Mesmo sem conseguir renovar seu mandato na Câmara, Quintão ganhou os holofotes após a tragédia ocorrida com o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), por ter sido relator da Medida Provisória que criou a Agência Nacional de Mineração (ANM). Teve campanhas financiadas por empresas do setor, incluindo a Vale -- doações que, à época, eram permitidas por lei -- e também foi relator de uma versão do Código de Mineração no governo da presidente cassada Dilma Rousseff. O projeto, no entanto, acabou abandonado.

Titular ainda informal da Subchefia de Assuntos Parlamentares da Casa Civil, Quintão negou que as novas atribuições a ele conferidas no Planalto tenham relação com reportagens mostrando sua ligação com as mineradoras. “Nunca estive com o presidente da Vale. Aliás, a Vale sempre atuou para me tirar do Código da Mineração”, disse o deputado ao Estado.

Questionado sobre o motivo de o senador Paulo Bauer (PSDB-SC), não reeleito, assumir agora uma missão que antes seria sua, Quintão desconversou. “Paulo Bauer foi convidado para fazer a articulação com o Senado e eu terei a oportunidade de ajudar nos projetos prioritários do governo”, respondeu ele, sem dar mais detalhes sobre as propostas das quais cuidará.

Nos bastidores, Quintão tem recebido críticas de colegas no Congresso, acusado de não ter jogo de cintura da política. Em mais de uma ocasião, o presidente Jair Bolsonaro foi avisado por aliados de que o deputado não daria certo na função de "negociador" do governo no Senado.

Na semana passada, Quintão atuou como emissário de Onyx -- de quem é amigo -- e tentou convencer a então líder do MDB no Senado, Simone Tebet (MS), a desistir da candidatura à presidência da Casa, deixando o caminho livre para Renan Calheiros (MDB-AL) enfrentar o colega Davi Alcolumbre (DEM-AP). No diagnóstico da Casa Civil, Alcolumbre vence Renan em uma votação aberta no plenário porque senadores podem ficar constrangidos em apoiar publicamente o parlamentar alagoano, que enfrenta investigações da Lava Jato.

A operação conduzida por Quintão, porém, foi considerada um desastre e Simone acusou a “interferência indevida” da Casa Civil na eleição do Senado, marcada para a próxima sexta-feira. Renan, por sua vez, se movimenta para obter apoio do governo Bolsonaro, mandando recados ao Planalto e minimizando até mesmo antigas divergências com Onyx.

“Só há duas pessoas do governo que eu não vou procurar: o Quintão, que ainda não tem cargo, e o Marun (ex-ministro Carlos Marun), que está em Itaipu”, afirmou o senador ao Estado. Quintão preferiu não entrar na polêmica. “Renan é bom amigo, mas péssimo adversário”, comentou.

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