Sob chuva, Alckmin entrega trecho do Rodoanel

A bordo de um automóvel Lincoln, ano 1941, o governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, percorreu hoje os 7,2 quilômetros do primeiro trecho do Rodoanel Mário Covas, inaugurando oficialmente a principal obra iniciada pelo seu antecessor. As duas pistas com quatro faixas de rolamento cada, acostamento e canteiro central integram o trecho oeste do Rodoanel, ligando a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães às Rodovias dos Bandeirantes e Anhangüera. O trecho completo, com 32 quilômetros de extensão, deverá ficar pronto no fim do primeiro semestre de 2002, unindo também as Rodovias Régis Bittencourt, Raposo Tavares e Castelo Branco. A conclusão total do anel viário, que visa a retirar o tráfego pesado das avenidas Marginais, só deverá ocorrer em 2007, com a construção de outros 138 quilômetros, nas regiões norte, leste e sul, cortando as principais rodovias que dão acesso a São Paulo. Não foi a primeira vez que um carro antigo inaugurou uma nova pista. O prolongamento da Rodovia dos Bandeirantes também foi saudado com um desfile organizado pela Federação Paulista dos Colecionadores de Carros antigos, mesma entidade responsável pela carreata do Rodoanel. A diferença é que, da primeira vez, o governador apenas assistiu ao desfile. No caso do Rodoanel, Alckmin sentou-se no banco da frente, ao lado do proprietário e motorista do carro, Og Possoli. Chuva - O brilho da apresentação só foi ofuscado pela chuva, que obrigou o Lincoln conversível a circular com a capota abaixada. Antes de iniciar o percurso, o governador criticou os opositores do Rodoanel. Sobraram críticas à Prefeitura e ao PT, que chegou a propor uma CPI para investigar supostas irregularidades no aditamento dos contratos para a realização das obras. "Em vez de tentar brecar a conclusão do Rodoanel, a Prefeitura deveria ajudar a financiar a obra", disse. " O acordo previa que 25% dos recursos viessem da Prefeitura, mas até agora não recebemos nada. Estamos bancando 75% dos gastos e a União, os outros 25%." De acordo com o governador, o Rodoanel é uma das obras de menor custo em relação à qualidade. "Estamos gastando R$ 11,5 milhões por quilômetro, na Avenida Água Espraiada, foram R$ 53 milhões por quilômetro", afirmou. Ele também disse que não acredita na possibilidade de o Ministério Público Federal, que aponta falta de garantias sobre a manutençao do equilíbrio ambiental, conseguir suspender o tráfego no trecho recém-inaugurado. "Temos a licença de operação e todos os relatórios ambientais aprovados. Fechar a rodovia seria falta de bom senso." Alckmin avalia que os ataques ao Rodoanel visam a impedir uma eventual candidatura sua à reeleição. Temor que afirma ser infundado. "Nunca declarei que seria candidado a nada. Meu único compromisso é terminar o mandato", disse. Aposta - Muitos ficaram emocionados na cerimônia. Um dos mais, o secretário estadual dos Transportes, Michael Zeitlin, contou ter apostado com o então governador Mário Covas que o primeiro trecho do Rodoanel seria entregue até maio deste ano. Covas achava que não daria tempo. O vencedor receberia duas gravatas. Como perdeu a aposta e também o amigo, que morreu em março, Zeitlin decidiu fazer da entrega do prêmio uma homenagem. Deu uma das gravatas a Alckmin e a outra a Mario Covas Neto, filho do governador. "Esta é a obra mais complexa do País e sei a quantidade de lutas que teremos de enfrentar até vê-la concluída", disse Zeitlin.

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