Só traição inédita tira de Temer vitória na Câmara

Os 14 partidos que apoiam sua candidatura reúnem 421 dos 513 deputados

Felipe Recondo e Denise Madueño, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

31 de janeiro de 2009 | 00h00

O deputado Michel Temer (PMDB-SP) chegará amanhã ao plenário da Câmara com promessa de votos suficientes para ser eleito o novo presidente da Casa. Somente uma traição em proporções inéditas na Câmara pode ameaçar sua vitória. Os 14 partidos que apoiam sua candidatura reúnem 421 deputados. Com Temer, estão as maiores bancadas como o PMDB, o PT, o PSDB e o DEM. Mesmo que 166 deles recusem a orientação do partido e decidam votar em outro candidato, Temer ainda terá votos suficientes para derrotar os três adversários - Ciro Nogueira (PP-PI), Osmar Serraglio (PMDB-PR) e Aldo Rebelo (PC do B-SP).Os três trabalham para levar a eleição ao segundo turno, acreditando que o cenário será outro em nova disputa. Para ser eleito em primeiro turno, o candidato precisa da maioria absoluta dos votos dos deputados que estiverem na sessão. Historicamente, a escolha do presidente na Câmara reúne quase a totalidade dos 513 deputados.Para ameaçar a vitória de Temer, seus adversários confiam que o voto secreto pode levar muitos deputados a trair o acordo fechado pelas cúpulas dos partidos. A estratégia adotada às vésperas da eleição é estimular o lançamento de candidaturas avulsas para os demais cargos da Mesa Diretora da Casa. Eles apoiam os insatisfeitos com o acerto pró-Temer em troca da traição na última hora. Esses cargos da Mesa (sete titulares e quatro suplências) foram negociados por Temer e líderes dessas legendas para garantir o apoio das bancadas.Para tentar neutralizar essa estratégia dos adversários, os apoiadores de Temer fecharam questão e anunciaram que vão punir, com as medidas disciplinares do código de ética dos partidos, os deputados que disputarem como avulsos em cargos distintos aos acertados por suas legendas. Essa regra proíbe, por exemplo, que a deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), em campanha para a quarta-secretaria, entre na disputa, porque o cargo foi destinado ao PTB.Se os adversários de Temer conseguirem minar seus votos, a eleição pode ir para o segundo turno com a provável disputa entre Temer e Ciro Nogueira. Nesse cenário, o deputado do PP diz acreditar que pode ter o apoio dos demais adversários e ser beneficiado com seus votos.

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