´Só tráfico dá mais lucro do que rodovias´, diz subprocurador

O subprocurador-geral da República, Aurélio Virgílio Veiga, comparou nesta quinta-feira os lucros do tráfico de drogas com os das concessionárias privadas de rodovias. Em palestra na reunião do Grupo de Trabalho Agenda da Infra-Estrutura para o Desenvolvimento, do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), Veiga afirmou que "só o tráfico de drogas dá mais lucro do que ser concessionário de rodovia".De acordo com ele, as empresas assumem as concessões por até 30 anos sem terem feito os investimentos. "O governo transfere para a iniciativa privada trechos que já estão prontos", disse. Veiga afirmou que as rodovias concedidas à iniciativa privada são boas, mas afirmou que "os preços dos pedágios são altíssimos".O presidente da Associação Brasileira de Infra-Estrutura e da Indústria de Base (Abdib), Paulo Godoy, rebateu a afirmação de Veiga. "Imaginar que a concessão de rodovias tem a mesma rentabilidade que o tráfico de drogas é desconhecer completamente a realidade, é desconhecer o que está sendo idealizado para o País", afirmou Godoy, após deixar a reunião."Se há distorções, elas têm que ser corrigidas, mas com base em avaliações técnicas e não, ideológicas", afirmou o presidente da Abdib. "A infra-estrutura brasileira é altamente deficitária e nós precisamos encontrar os mecanismos para obter os recursos para investir nela", concluiu.CompetiçãoAo comentar a decisão do governo brasileiro de reavaliar o processo de licitação de sete trechos de rodovias federais, Godoy afirmou que "não é possível que as instituições brasileiras não encontrem, em cinco anos, qual o modelo mais adequado".Ele disse ainda que cabe ao governo, como poder concedente, avaliar as regras do edital - relativo aos sete trechos -, mas, para ele, é a competição que vai definir preços justos. "É a competição que vai trazer as tarifas dos serviços públicos para um patamar justo de remuneração", afirmou.Para ele, o Brasil precisa recuperar os 56 mil quilômetros da malha rodoviária federal, seja com dinheiro público ou privado. A uma pergunta sobre o argumento do governo de que precisa reavaliar custos para tentar baixar as tarifas de pedágio nas estradas, Godoy afirmou que se trata apenas de uma questão matemática: "Você verifica qual o investimento que tem que ser feito, qual o custo do capital, quanto custa para operar e qual é a taxa de remuneração, com base nos juros vigentes no País. Não é uma conta muito difícil".

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