"Só se for um foguete de São João"

O presidente da Agência Espacial Brasileira (AEB), Luiz Bevilacqua, concedia entrevista coletiva sobre o acordo firmado entre Brasil e Ucrânia para o uso da Base de Alcântara quando foi surpreendido com a informação da explosão do protótipo VLS. Indagado sobre o acidente, Bevilacqua ironizou: ?Só se for um foguete de São João.? Minutos depois, a notícia foi confirmada por um assessor, por meio de um bilhete.Além do alto número de vítimas, o acidente provocou estragos na infra-estrutura da base de lançamento. Segundo Bevilacqua, o VLS, orçado em R$ 14 milhões, foi totalmente destruído. Apesar da gravidade do acidente, Bevilacqua defendeu a necessidade da continuidade do Programa Espacial Brasileiro. No último lançamento frustrado, houve ameaças de extinção do projeto. ?Um programa como esse não pode ser sepultado. A criação desses sistemas mais complexos está relacionado a grandes riscos. Acidentes acontecem e não podemos esmorecer.? O presidente da AEB acredita que o acidente não põe em risco a execução do acordo Brasil-Ucrânia. ?Ao contrário. O episódio deve reforçar a necessidade de criação de sistemas mais modernos e sofisticados, o que trará benefício para os dois países?, afirmou.Minutos antes do acidente, Bevilacqua dizia que a equipe enviada a Alcântara estava extremamente entusiasmada. ?Não podemos considerar fracasso os dois lançamentos anteriores. Aprendemos com os erros.? O diretor-geral-adjunto da Agência Espacial Nacional da Ucraniana (NSAU), Valeriy Komarov, que participou das negociações para o acordo, prestou condolências a Bevilacqua e ofereceu auxílio para investigar as causas do acidente. Ele disse que problemas em lançamentos são freqüentes. Na Ucrânia, o último deles ocorreu em 1991, no lançamento do Zenit 2. ?Foi uma explosão na base, com foguete ainda em solo. Foi impossível recuperar a área.?

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