Só original pode provar se lista de Furnas é verdadeira, diz perito

O perito Ricardo Molina analisou há cinco meses uma cópia da lista que relaciona políticos da base aliada do governo de Fernando Henrique Cardoso supostamente beneficiados em um esquema de caixa 2 operado pelo ex-diretor de Furnas, Dimas Toledo, em 2002. Ele concluiu que a cópia não apresenta indícios de falsidade. "O que não quer dizer que o original seja autêntico", afirmou. Ele disse que somente a avaliação do original poderá comprovar se o documento é verdadeiro.Molina contou que a cópia, com o timbre de Furnas, lhe foi encaminhada por um órgão de imprensa. "Recomendei que procurassem o original, mas até hoje não o recebi", disse. A cópia apresentava um carimbo de autenticação de cartório, mas o perito disse que ela não dá garantia de autenticidade. "Tanto faz ter ou não o carimbo. O cartório não analisa a autenticidade do original." Na época em que fez a análise, em outubro do ano passado, Molina explicou que somente com o original teria uma conclusão definitiva. Acrescentou que em algumas situações a montagem de um documento pode não aparecer na cópia. "Eu fiquei sabendo há pouco tempo que a fonte do órgão de imprensa era o lobista Nilton Monteiro", disse. Molina não acreditar que o original apareça, depois de cinco meses."Ou não existe, ou jogaram fora ou não querem que apareça", disse o perito. Supôs que possa estar sendo guardada por alguém que seria incriminado caso se tornasse pública e sua autenticidade fosse comprovada. "Mas é suposição minha", disse. O perito explicou que a impressão desalinhada e a assinatura diferente da original são alguns indícios de documento falso. Nenhum desses indícios foi encontrado na cópia, conforme Molina. Insistiu, porém, que somente o original pode tirar todas as dúvidas. Na falta dele, sugeriu que seja apurada a veracidade das informações da lista.

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