‘Só me arrependo de ter errado o tiro’, diz guerrilheiro

Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz, o Clemente, foi comandante da ALN no Brasil; segundo ele, sua mãe foi torturada pelo delegado Sérgio Fleury

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

09 de outubro de 2016 | 05h00

O músico Carlos Eugênio Sarmento Coelho da Paz foi o Clemente, um dos últimos comandantes da ALN no Brasil. Marighella mudou a vida de Clemente. Convenceu-o a entrar no Exército para obter treinamento militar. Sua vida cruzou com a do delegado Sérgio Paranhos Fleury diversas vezes, uma delas ao cobrir um ponto com José Anselmo dos Santos, o Cabo Anselmo, agente infiltrado da ditadura. Clemente desconfiou dele, o que lhe salvou a vida. Seguiu-se um tiroteio, no qual Clemente acertou um tiro de raspão no nariz do delegado. “Só me arrependo de ter errado o tiro.” Fleury prendeu a mãe de Clemente. “Ele torturou minha mãe dizendo: ‘Vou extrair de você como pegar seu filho’.” Clemente nunca foi preso.

Outro que conheceu Fleury é o economista Paulo de Tarso Venceslau. Preso pela Operação Bandeirantes, ele foi mandado para o Dops 15 dias depois. Um dia, subiram-no da carceragem para uma sala no 4.º andar. “Havia uma barra de ferro entre duas mesas. Me colocaram no pau de arara. Fleury assistiu a tudo”, afirmou. Venceslau deve ser ouvido pelo Ministério Público Federal no caso Marighella.

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