GABRIELA BILÓ|ESTADÃO
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'Só Janot pode responder', diz Padilha sobre pedidos de prisão de Renan, Jucá, Sarney e Cunha

Ministro da Casa Civil evita avaliação em nome do governo Temer sobre medidas que afetam parlamentares da cúpula do PMDB e esperam decisão do Supremo Tribunal Federal

Carla Araújo e Tânia Monteiro, O Estado de S. Paulo

07 de junho de 2016 | 11h35

Brasília - O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, evitou responder, em entrevista coletiva ao final de uma reunião ministerial na manha desta terça-feira, 7, perguntas sobre o impacto dos pedidos de prisão de caciques peemedebistas feitos pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e disse que apenas o procurador poderia falar sobre o tema. "Em um outro momento, talvez (comente os pedidos). Agora, aqui, é Olimpíada. Só quem pode responder é o doutor Janot, ele sabe por que fez, o que fez, o que escreveu e o que pediu. Eu não sei nada", disse, após coordenar reunião que tratou dos Jogos Olímpicos. O presidente em exercício, Michel Temer, chegou apenas para o encerramento do encontro.

Questionado sobre as implicações dos pedidos para o governo, Padilha respondeu: "Não sei nada, absolutamente nada". O ministro encerrou a coletiva diante da insistência para que comentasse o tema e fizesse uma avaliação dos pedidos de prisão em nome do governo. "Hoje é dia de avaliação das Olimpíadas e Paraolimpíadas. Muito obrigado, senti que esse tema (Olimpíada) está satisfeito. Fico muito feliz, obrigado", afirmou Padilha aos jornalistas.

Janot pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e do senador e ex-ministro do planejamento de Temer Romero Jucá (PMDB-RR), além de restrição de liberdade com uso de tornozeleira ao ex-presidente e ex-senador José Sarney (PMDB-AP), por tentativa de barrar a Operação Lava Jato. As informações foram divulgadas pelo jornal O Globo nesta terça-feira. O presidente afastado da Câmara, Eduardo Cunha, também foi alvo de pedido de prisão, de acordo com a TV Globo.

Embora a reunião comandada por Padilha tenha começado às 9 horas, a coletiva foi marcada de última hora, assim como a participação de Temer já no fim do encontro, que não estava previsto na agenda. Questionado sobre a participação do presidente, Padilha afirmou que ele veio trazer uma mensagem positiva à nova equipe ministerial. "O presidente veio trazer a todos a grande esperança que o mundo tem em relação ao evento, que será visto por 5, por 6 bilhões de pessoas", afirmou.

Padilha, que estava ao lado do ministro interino do esporte Fernando Avelino e da Subchefe de Articulação e Monitoramento, Natália Marcassa de Souza, fez questão de destacar o fato de ter uma mulher na articulação do evento. "Primeira observação, vocês viram que a subchefe da Casa Civil é uma mulher, e que representa neste evento a articulação. É um registro importante dadas algumas interrogações que aparecem", afirmou Padilha, rebatendo críticas ao governo Temer por não ter nomeado mulheres para o primeiro escalão do governo.

Apesar disso, na lista oficial de participantes distribuída pela assessoria do Planalto não constava o nome de Natália. De acordo com as informações oficiais participaram da reunião: os ministros Dyogo Oliveira (Planejamento); Fernando Avelino (ministro interino - Esporte); Alexandre Moraes (Justiça); Raul Jungmann (Defesa); Ricardo Barros (Saúde); Henrique Eduardo Alves (Turismo); Mendonça Filho (Educação); Marcelo Calero (Cultura); Fernando Coelho Filho (Minas e Energia); Henrique Meireles (Fazenda); Gen. Sérgio Etchgoyen (Gabinete de Segurança Institucional). Também estiveram presentes, de acordo com a lista distribuída pela assessoria: Wilson Trezza (Diretor Geral da ABIN); Marcio Freitas (Secom); Fernando Fortes (Sec. Exec. Minist. Dos Transportes, Portos e Aviação Civil); Marcos Bezerra Abbott Galvão (Sec-Geral Minist. Relações Exteriores) e Luiz Fauth (assessor Sec.Exec. Minist. De Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações).

Reunião. Padilha disse que na reunião com os ministros foi feita uma avaliação ministério por ministério e disse que não há "nenhum risco para o efetivo sucesso do evento". "Queremos dar uma palavra de otimismo que estamos no caminho certo e vai ser um sucesso, assim como foi a Copa do Mundo", destacou.

O ministro da Casa Civil disse que a reunião foi de nivelamento de informações e monitoramento dos jogos e que o evento "é oportunidade ímpar para o Brasil" e destacou o legado para o País. "Vamos ter herança material, com todas essas instalações que estão sendo feitas", disse, reforçando que também "vamos aumentar e muito o potencial turístico". "Temos certeza que esse evento vai nos dar franquia internacional", afirmou.

Questionado sobre o ponto mais sensível dos Jogos, o interino do Esporte afirmou que "segurança é sempre uma preocupação". "Todo o processo exige atenção, com segurança, energia e funcionamentos dos equipamentos", disse, ressaltando que também acredita no sucesso do evento.

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