‘Só falta o DEM concordar', diz Alvaro Dias

Leia a entrevista com o senador cogitado a ocupar vaga de vice na chapa do tucano José Serra

Eugênia Lopes, de O Estado de S.Paulo

28 de junho de 2010 | 19h58

BRASÍLIA - Indicado para ocupar a vaga de vice-presidente na chapa tucana, o senador Álvaro Dias (PSDB-PR) garante que será um "coadjuvante obediente", caso José Serra seja eleito presidente da República.

 

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Dias considera natural as resistências do DEM a sua escolha, mas alerta em tom de ameaça: se sua candidatura à vice-presidência não for homologada até amanhã, como determina a legislação, o seu irmão e senador Osmar Dias (PDT) vai disputar o governo do Paraná. Um dos objetivos da indicação de Álvaro Dias foi retirar Osmar da corrida estadual paranaense, o que deverá criar dificuldades de palanque no Estado para a candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff.

 

O senhor teme sequelas na campanha de José Serra depois de sua escolha ter desencadeado uma crise entre PSDB e DEM?

 

O DEM tem deixado claro que não é resistência ao meu nome. É natural que o partido postule o cargo; nada mais compreensível. Afinal, o DEM ocupou duas vezes a vice-presidência no governo de Fernando Henrique Cardoso e também, em 2006, quando o Geraldo Alckmin disputou a presidência da República. Mas não entendo que isso possa deixar sequelas. Essa turbulência é passageira. O final será do entendimento.

 

Um dos argumentos usados pelo ex-governador Aécio Neves para não ser vice na chapa tucana foi o de que seu nome não agregaria votos à candidatura de Serra. O seu nome vai aumentar o número de votos em Serra?

Acho que sou a pessoa menos indicada para falar sobre isso até porque não advogo em causa própria. Houve uma avaliação cuidadosa, que concluiu pelo meu convite. Agora, quem ganha eleição é o candidato a presidente. O vice é coadjuvante. Quero ser um coadjuvante eficiente e leal ao candidato. Quero ser um divulgador de suas qualidades e mostrar que ele é a melhor alternativa. Não posso fazer uma avaliação a respeito da dimensão do meu apoio. Mas, no Paraná, são 7,5 milhões de eleitores, o que pode ser decisivo na eleição.

 

O senador Osmar Dias, seu irmão, vai retirar a candidatura ao governo do Paraná?

 

Se a minha candidatura como vice-presidente for homologada, não há como nós dois nos confrontarmos. Ele anunciou que sairá candidato ao Senado. Ele avalia que o projeto nacional é prioritário. Se eventualmente no dia 30 a minha candidatura não for homologada, ele será candidato ao governo do Paraná. Para a homologação do meu nome como vice, só falta o DEM concordar. Quando isso ocorrer, eu vou ser anunciado oficialmente.

 

Essa vinculação entre sua indicação a vice-presidente com a retirada da candidatura de seu irmão ao governo paranaense não é chantagem?

 

Não existe essa vinculação. O senador Sérgio Guerra (presidente nacional do PSDB) deixou isso muito claro. Não era uma decisão do Paraná e sim uma decisão nacional. Não há essa vinculação. Nem eles colocaram isso como exigência, nem isso foi recebido de nossa parte dessa forma. Sempre estivemos juntos.

 

O Serra já disse que não queria um vice que "aporrinhasse". O senhor será um vice que não vai incomodar?

 

Acho que sou um colaborador leal e fiel. Serei um coadjuvante obediente sem criar problemas. O PSDB me convocou. Aceitei de forma irrevogável. Trata-se de uma missão do partido.

 

A divulgação de seu nome como vice no Twitter foi desastrosa para a campanha?

 

Não foi por desejo do senador Sérgio Guerra. Isso ocorre. É difícil não vazar uma notícia como essa.

 

 

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