Só 2 dos 23 caças da Marinha têm condições de voar

Aviões ficam parados em São Pedro da Aldeia (RJ), enquanto Fazenda retém crédito R$ 3 bi em royalties

Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

15 de março de 2008 | 00h00

O Comando da Marinha considera "críticos" seus recursos operacionais e o sintoma mais expressivo da situação é revelado pela Força Aeronaval, estacionada na base de São Pedro da Aldeia (RJ). Ali estão, sem condições de vôo, 21 dos 23 caças A-4M Skyhawk (rebatizados AF-1 no Brasil) adquiridos do Kuwait, em 1997, para equipar o porta-aviões São Paulo.Os dois únicos caças disponíveis são considerados "aptos com restrições". O problema não é falta de dinheiro: só de royalties do petróleo - garantidos por lei, porém retidos no Ministério da Fazenda -, a Marinha tem R$ 3 bilhões. O tamanho da crise está detalhado em um relatório feito pelo comandante da Força, almirante Júlio Soares de Moura Neto. O documento, enviado à Casa Civil, continua sem resposta.Dos 23 navios da frota, 11 estão imobilizados e 10 apresentam problemas - restam apenas 2 "em perfeito estado".Dos 5 submarinos, 2 estão completamente parados, 2 estão funcionando com restrições e apenas um está "em bom estado". No caso dos helicópteros, a situação não é diferente: dos 58 existentes, 27 estão imobilizados e 31 em uso sob restrições. Há um mês, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voou em um deles, na Antártida, entre a estação chilena e a estação brasileira.A radiografia não é diferente nos outros comandos. No Exército, 78% dos blindados estão sucateados e 84% deles foram fabricados na era pré-informática. Sobre a Aeronáutica, em setembro o comandante Juniti Saito disse, no Congresso, que só 37% dos aviões tinham condições de voar. Agora, a porcentagem subiu para 80% dos meios da Força Aérea Brasileira.O plano de reaparelhamento da Marinha prevê a revitalização dos AF-1 pela Embraer. A previsão, no entanto, é de quatro anos para a recuperação. O porta-aviões São Paulo, há três anos em reforma, deve voltar ao mar em 60 dias, caso haja dinheiro no caixa da Marinha.Quando falou da situação dos equipamentos para os parlamentares, o comandante da Marinha reconheceu que há "um estado crítico de obsolescência material e tecnológica". Essa avaliação, contida em documento atualizado agora, informa que, em conseqüência do natural esgotamento da vida útil dos equipamentos, a Marinha desativou 22 navios e 6 aeronaves nos últimos oito anos. No mesmo período, os recursos só foram suficientes para a reposição de 12 desses meios, os dois mais recentes no final de 2007.Até 2010 existe a previsão de desativação de mais 17 navios. Caso não haja uma reversão consistente no quadro orçamentário, adverte a Marinha, 87% dos atuais navios serão imobilizados. No quadro das aeronaves a necessidade é de recuperação, troca e expansão de até 128 unidades.Moura Neto defende a imediata implementação do programa de reaparelhamento. O empreendimento custará R$ 5,8 bilhões - a serem aplicados de 2008 a 2014 -, o que o almirante considera "absolutamente factível", desde que a área econômica do governo libere os R$ 3 bilhões de royalties a que a Marinha tem direito.

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