Skinheads negam crime contra homossexual

Roberto Fernando Gros Dias, de 21 anos, e de Regina Sarã Velasco, de 23, acusados de integrarem o grupo de skinheads que assassinou o adestrador de cães Edson Neris da Silva, de 35 anos, a socos e pontapés, quando ele passeava de mãos dadas com outro homem, na madrugada do dia 6 de janeiro de 2000, negaram o crime e também disseram não fazer parte do grupo de skinheads. O julgamento de ambos começou hoje.Regina retificou depoimento feito na polícia, quando afirmou fazer parte do grupo. Ela disse que não falou a verdade antes porque recebeu ameaças de morte feitas por um dos skinheads, cujo nome não saberia revelar o nome. A pedido do promotor, o juiz indagou se ela teria condições de reconhecê-lo nas fotos. Ao ver uma delas, a acusada reconheceu a foto da página 16 do processo, na qual aparece Juliano Filipini.O início do julgamento foi marcado por uma discussão de cunho pessoal entre o promotor Marcelo Camargo Milani e o advogado de Dias, Antonio Carlos Rinaldi. Essa discussão criou um impasse no sorteio do corpo de jurados, que demorou cerca de 40 minutos para ser realizado.Dos 21 jurados convocados para fazer parte do conselho de sentença, apenas 13 compareceram - dois a menos que o limite mínimo fixado pela legislação. Para completar o corpo de jurados, o juiz Luiz Fernando Camargo de Barros Vidal tomou emprestado dois jurados de outro plenário, também pertencente ao 1º Tribunal do Júri do Fórum da Barra Funda.Em conversa informal, o advogado Rinaldi concordou com o empréstimo. Mas no plenário recusou-se a aceitá-lo, alegando ter tido uma discussão com o promotor. O juiz no entanto, indeferiu o pedido de Rinaldi alegando que a solicitação "não estava fundamentada nem se justificava, pois ocorreu por motivação de eventuais problemas entre a defesa e a acusação".Foi em depoimento ao juiz Vidal que Dias e Regina negaram o crime.Os integrantes de sete associações que defendem o interesse os homossexuais realizaram uma manifestação em frente ao prédio do Fórum. Na ocasião distribuíram manifesto á população. Num trecho o documento diz que: "Passados dois anos do crime, a comunidade homossexual de São Paulo, diretamente atingida pela ação nazista dos skinheads vem, de forma organizada, a público, cobrar por justiça e por punição severa aos responsáveis por esta morte, causada única e exclusivamente pelo preconceito". E adverte: "O silêncio e a omissão são os alimentos da violência".O documento conclui afirmando que "estamos aqui neste dia para acabar com a impunidade e dar um basta à violência, cometida por setores ultrapassados da sociedade, contra a população homossexual".Quatro pessoas já foram julgadas por terem participado do assassinato do adestrador. Juliano Filipini e José Nílson Pereira foram condenados a 21 anos e seis meses de prisão. Jorge Conceição Soler, a sete anos, e Marcelo Pereira Martins ainda não teve a pena aplicada.O julgamento de Dias e de Regina deverá terminar às 3 horas da madrugada de terça-feira.

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