Skaf promete transformar 'sonhos' de retorno da CPMF em 'pesadelos'

Presidente da Fiesp disse que entidade não terá limites na luta contra a recriação do tributo

Daiene Cardoso, da Agência Estado,

08 de novembro de 2010 | 10h48

SÃO PAULO - O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou nesta segunda-feira, 8, que a entidade não terá limites na luta contra a possível recriação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Skaf, que foi candidato a governador de São Paulo pelo PSB e apoiou a candidatura da presidente eleita Dilma Rousseff (PT), criticou os que sonham com o retorno da CPMF. "Tenham cuidado. Vamos fazer com que esses sonhos virem pesadelos", ameaçou, durante a abertura do Congresso da Indústria 2010, na capital paulista.

 

Para Skaf, como todos conhecem o peso da carga tributária brasileira, ninguém assumirá o ônus de apoiar uma medida impopular. "Nenhum político gosta de ter um pesadelo logo no início de seu mandato", considerou.

 

Ele prometeu que os idealizadores do possível regresso da contribuição se arrependerão da ideia porque a sociedade não aguenta mais impostos. Embora seja filiado ao PSB, partido do qual governadores eleitos manifestaram apoio à CPMF, Skaf disse que sua atuação vai além do partido. Segundo ele, muitos deles já começaram a mudar de opinião, como o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, e o governador eleito do Espírito Santo, Renato Casagrande. "O peso aí não é de um ou outro governador, o peso é da sociedade", avaliou, avisando que não haverá limites para a tomada de atitudes.

 

Emenda 29

 

Durante a abertura do Congresso, ele defendeu a regulamentação da Emenda 29, que assegura os recursos mínimos para o financiamento das ações e serviços públicos de saúde, e disse que o governo federal terá em 2011 uma arrecadação prevista em R$ 1 trilhão.

 

"Que fique bem claro: a sociedade brasileira não vai aceitar qualquer tipo de aumento tributário", reforçou. De acordo com Skaf, a possível volta da CPMF abriria brecha para a criação de impostos em áreas específicas, como segurança e educação. O presidente da Fiesp defendeu que a sociedade exija qualidade no serviço público sem aumento da carga tributária. "Queremos qualidade no respeito às pessoas", afirmou. Os empresários discutirão durante todo o dia temas como reforma tributária e trabalhista e levarão as conclusões a Dilma.

 

Esclarecimento

 

Após o evento, Skaf negou que tenha enviado um alerta à Dilma. Ele afirmou não ter visto nenhuma manifestação de Dilma favorável ao retorno do tributo e sim declarações de governadores e parlamentares favoráveis a essa contribuição. "Não acredito que ela apoiará a CPMF, nem a CSS, nem qualquer tipo de imposto. Isso seria uma contradição com o que ela pregou durante a campanha", afirmou.

 

Skaf ressaltou também que não tem críticas à presidente eleita e que seu recado foi direcionado a todos aqueles que defendem o retorno do tributo. "Ela (Dilma) não merece ter críticas, merece agora é apoio para promover a reforma tributária e assim o faremos", disse. "No momento eu penso que ela não tem esses sonhos não", complementou.

 

 

Meirelles

 

Sobre a possibilidade de saída de Henrique Meirelles do Banco Central no governo Dilma, Skaf não prevê sobressaltos. "A cultura do Banco Central não está na cabeça do Henrique Meirelles. O problema do BC do Brasil é que ele só se preocupa com a moeda", disse. "Ou se muda esse conceito do BC e ele passa a ter a responsabilidade de pensar de forma equilibrada com a moeda, com o desenvolvimento, com o emprego, ou tem de haver políticas para priorizar o desenvolvimento do País", completou.

 

Skaf lembrou que o País já conquistou a estabilidade econômica, mas que agora é preciso buscar o crescimento constante. "O País tem outros desafios. Não dá para ficar falando só em juros altos", afirmou.

 

Ele negou que o governo Lula entrará para a história por não ter feito as reformas necessárias ao País, principalmente porque o presidente é bem avaliado pela opinião pública. "Ele (Lula) acertou na maioria das coisas e errou em algumas, ou deixou de fazer outras." O presidente da Fiesp destacou que as reformas são demandas que precisam de décadas para serem instituídas. "Ele vai ficar na memória como um bom presidente, não quer dizer que seja perfeito."

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