Skaf promete 70 km de metrô em quatro anos

Convenção do PMDB confirma empresário como candidato ao governo de São Paulo e ele faz promessa ousada: quase dobrar a atual malha, de 76 km

FERNANDO GALLO, O Estado de S.Paulo

15 Junho 2014 | 02h02

Escolhido ontem, em convenção, pelo PMDB paulista, candidato ao governo do Estado, o empresário Paulo Skaf prometeu construir 70 km de metrô em quatro anos. Se efetivamente concretizada, a medida praticamente dobraria a atual linha de metrô da capital paulista, que tem um total de 76 km de extensão.

Segundo candidato mais bem posicionado nas pesquisas, Skaf tem 21% das intenções de voto contra 44% do atual governador Geraldo Alckmin (PSDB), que tentará a reeleição. O candidato do PT, Alexandre Padilha, tem 3%.

O candidato peemedebista escolheu o metrô para fazer sua primeira grande proposta de campanha. A área de transportes é sensível para Alckmin não apenas porque o metrô foi pouco ampliado em quatro anos, como pelas suspeitas da existência das práticas de cartel e corrupção, investigadas por diversas autoridades.

"Queremos que o transporte público do nosso Estado respeite as pessoas. Que as pessoas possam contar... não queremos fazer 1,5 quilômetro de metrô por ano. Queremos fazer os 70 quilômetros que foram feitos ao longo dessas quatro décadas em quatro anos", afirmou durante discurso de 10 minutos que fez após ser indicado candidato pelos convencionais. Ele não deu detalhes da proposta.

Engenheiro de transporte de pessoas, Horácio Figueira afirma que a malha efetivamente precisa ser aumentada, mas diz que dificilmente seria executada em quatro anos, a menos que se tratasse de monotrilho, que, contudo, tem metade da capacidade de uma linha de metrô.

"Para metrô, quatro ou cinco anos é pouco. E o custo é muito alto", diz ele. Um quilômetro quadrado custa em torno de US$ 100 milhões. Para executar o plano, Skaf precisaria de R$ 15,4 bilhões, ou, três vezes o orçamento de investimentos do metrô para o ano de 2014.

Polarização. Ontem, o padrinho político de Skaf, o vice-presidente Michel Temer (PMDB), endossou a fala do candidato de que a polarização na eleição paulista se dará entre o PSDB e o PMDB.

"A grande polarização, o Skaf tem razão, vai ser entre o PMDB e o PSDB. Pelos menos as pesquisas estão indicando dessa maneira", afirmou o vice-presidente - uma indicação de que, na campanha paulista, o PT será encarado como adversário. "O palanque (da aliança) será um palanque Dilma-Temer aqui em São Paulo, mas evidentemente há uma divisão que o eleitor vai decidir."

Skaf chegou a lamentar a ausência da presidente Dilma Rousseff na convenção. "Seria uma honra, a Presidência da República é uma instituição. A presidente não esteve aqui hoje (ontem). Amanhã (hoje) é o lançamento da candidatura do PT no Estado. Se ela estará amanhã e não esteve hoje... percebe a diferença?"

Dilma, porém, cancelou a ida hoje à convenção de Padilha.

Indagado se esperava o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua campanha, o peemedebista, porém, contemporizou, e disse não querer "causar desconforto a ninguém".

Embora o PMDB apoie Dilma no plano nacional, no discurso e em entrevista, Skaf se colocou como adversário tanto do PSDB quanto do PT. O peemedebista fustigou os tucanos, ao afirmar que "o governo de São Paulo está em 1980", mas também fez questão de se diferenciar do PT e se apresentar como novidade, ao dizer que "há 20 anos o PSDB governa o Estado, e há 20 anos a polarização se dá entre dois partidos".

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