Skaf e Chalita tentam recuperar espólio do quercismo

Empresário se filia hoje ao PMDB, que elegeu apenas 1 deputado por SP em 2010; deputado já tem sua festa anunciada

Daniel Bramatti, de O Estado de S. Paulo

10 de maio de 2011 | 23h00

O ex-candidato a governador Paulo Skaf, que se filia nesta quarta-feira, 11, ao PMDB, e o deputado federal Gabriel Chalita (SP), prestes a fazer o mesmo, aderem à legenda depois de ela colher seus piores resultados eleitorais desde 1994.

 

 

Na época, o candidato a governador Barros Munhoz, mesmo com o apoio da máquina do Estado, comandado pelo então peemedebista Luiz Antônio Fleury Filho, teve apenas 11,3% dos votos na disputa pelo governo.

 

De lá para cá, o partido teve votação de "nanico", inferior a 5%, em todas as eleições para o Palácio dos Bandeirantes, mesmo quando o candidato foi Orestes Quércia, líder do PMDB paulista até sua morte, no ano passado.

 

A decadência eleitoral dos peemedebistas também é evidenciada pelo número de eleitos para a Câmara dos Deputados. Em 1994, o partido elegeu 14 dos 70 integrantes da bancada paulista. Nas eleições seguintes, esse número caiu para cinco, quatro, três e apenas um.

 

Apesar de não ter peso eleitoral, a legenda é organizada em todo o Estado e desfrutará do segundo maior tempo no horário eleitoral das eleições municipais do ano que vem - um patrimônio dos mais atrativos para políticos que buscam voos mais altos, como Skaf e Chalita.

 

Para o cientista político Carlos Melo, do Insper, Chalita, que já foi do PSDB e está se desligando do PSB, chegará ao PMDB com uma base consolidada entre os eleitores católicos e poderá se apresentar como alternativa à polarização PSDB-PT na disputa pela Prefeitura de São Paulo. "É um político jovem, com fama de ter boa presença na televisão. Poderá se contrapor aos rostos de José Serra ou José Aníbal, por um lado, e de Aloizio Mercadante ou Marta Suplicy, por outro", afirma ele.

 

Melo destaca ainda que, mesmo na hipótese de não "decolar" em 2012, Chalita tende a ser figura-chave na eleição municipal. "Em um segundo turno, ele tem canais de negociação com PT, PSDB e até com o PSD. Não há portas fechadas, ou seja, nada mais PMDB do que isso."

 

A futura candidatura do deputado à prefeitura paulistana foi negociada com o vice-presidente Michel Temer, um dos líderes do PMDB nacional, mas que detinha pouco poder no âmbito local até a morte de Quércia.

 

Chalita teve 560 mil votos na última eleição - foi o segundo deputado mais votado no Estado, atrás apenas do palhaço Tiririca. Secretário da Educação no mandato anterior do tucano Geraldo Alckmin no governo do Estado, ele é atuante no movimento de renovação carismática, uma das alas da Igreja Católica.

 

Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), concorreu ao governo pelo PSB, no ano passado, apesar da resistência de líderes do partido, como a ex-prefeita Luiza Erundina. Ele teve pouco mais de 1 milhão de votos, ou 4,6% do total, e ficou em quarto lugar na disputa.

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