Sivam já localizou 33 pistas de pouso clandestinas

O Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) identificou e apreendeu 84 aviões em vôo irregular na região apenas nos primeiros 30 dias de atividade da rede de radares e sensores eletrônicos. No mesmo período, foram localizadas 33 pistas clandestinas usadas pelo narcotráfico, contrabandistas e garimpeiros ilegais.Um número não revelado dessas instalações já foi destruído pela Polícia Federal. A média de ocorrências nos períodos seguintes tem se mantido na mesma proporção.A maioria dos aviões foi apresada depois do pouso, a princípio por não ter plano de vôo registrado. ?Muitos dos pilotos não eram habilitados. Havia aeronaves sem documentação ou com homologação claramente fraudada?, revelou um dos oficiais da Aeronáutica envolvidos no processo.Segundo o mesmo militar, é possível que em algumas situações tenha sido necessário conduzir o avião em situação irregular (?logo, considerado um intruso?) com o emprego de um turboélice T-27 Tucano, armado, lançado de uma das bases da Força Aérea Brasileira (FAB) na Amazônia.O Sivam entrou em operação em 25 de julho e ainda está na fase preliminar dos serviços integrados. Durante as primeiras quatro semanas, no fim do ano passado, entraram em ação quase todas as 25 estações fixas e móveis dos radares de superfície, combinadamente com dois jatos R-99A de alerta avançado e vigilância mais um R-99B de sensoriamento remoto, ambos os modelos fabricados pela Embraer sobre a plataforma do Emb-145.?Os números iniciais revelam que o trabalho conjunto apresentou resultados altamente produtivos?, afirma o diretor de mercados de Defesa da Embraer para a América Latina, Nilton Medina.Em julho, a empresa começa a entregar as primeiras unidades do lote de 76 turboélices A-29 e AT-29 Supertucanos, o avançado avião de ataque leve que será o braço armado do Sistema de Vigilância da Amazônia. Com capacidade para levar 1,5 tonelada de armamento, é dotado de sofisticados sistemas eletrônicos da última geração tecnológica, semelhantes aos utilizados nos caças supersônicos pesados.Guerrilha ricaO anúncio do bom rendimento inicial do Sivam é oportuno. A tensão na fronteira noroeste e norte voltou a crescer depois da identificação de bases regulares das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) nos municípios de Letícia ? na margem Colombiana do rio, diante da brasileira Tabatinga ? e La Tercera, muito próximos da divisa. Nessas localidades estão abrigadas na selva as Frentes 11 e 13 dos rebeldes.Há dez dias ambas as colunas apareceram citadas em um relatório reservado da Diretoria de Investigações e Informações do Banco Mundial como bases de transferência do dinheiro das Farc para compras no exterior. De acordo com o documento, assinado pelo diretor do grupo de pesquisa estratégica do banco, Paul Collier, a guerrilha movimentou cerca de US$ 1 bilhão nos mercados financeiros, nos últimos 20 anos.Esse dinheiro, ?parte de uma atividade econômica que pode chegar a US$ 4 bilhões? é o resultado do pagamento de resgates cobrados pela libertação de seqüestrados, da extorsão exercida sobre empresários e da venda de uma espécie de seguro, comprado por organizações multinacionais para garantir imunidade contra ataques às suas instalações ou dirigentes.O principal segmento na composição da renda da guerrilha, segundo o documento do Banco Mundial, provém do crime organizado ? as Farc são acusadas de guarnecer os canais de escoamento de cocaína e heroína rumo aos Estados Unidos e Europa.Paul Collier apresentou parte desses dados durante uma sessão reservada do Fórum de Economia de Bogotá, na semana passada. Na opinião do especialista, países como o Brasil, a Argentina, a Inglaterra ?e os centros financeiros internacionais de legislação branda? deveriam adotar uma política que pudesse bloquear o ingresso dessas aplicações em seus mercados.AlertaComo extensão dessa atitude, seriam aplicadas rigorosas regras de controle da venda de armas. O Banco Mundial considera que ?enquanto não se atacarem as fontes de financiamento da guerrilha e dos grupos terroristas, será impossível enfrentá-los com eficiência?.A recomendação coincide com a divulgação de um alerta da Inteligência militar dos Estados Unidos. Um informe do Comando Sul do Pentágono sinaliza o interesse das Farc na compra de helicópteros de ataque leve Defender e de aviões civis que permitam adaptação de armas.O Defender é muito ágil e pode ser armado com metralhadoras, foguetes livres e eventualmente mísseis. Negociantes paralelos de equipamentos de defesa têm oferecido exemplares em bom estado, desmobilizados pela aviação de países da Ásia, do Oriente Médio e da África.Quando vai às compras, a guerrilha colombiana é ousada. Uma comissão parlamentar de inquérito apurou que, de 2000 a 2002, uma quadrilha chefiada por ?um destacado comandante? forneceu aos rebeldes explosivos de alto poder, minas antiblindado e antipessoal, além de munição de diversos tipos. Por US$ 10 milhões, o material era desviado da fábrica Indumil ? uma estatal controlada pelo Exército.

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