Situação dos 'brasiguaios' é gravíssima, diz secretário de Foz do Iguaçu

Sérgio da Mota Machado afirmou que sem-terra paraguaios seguem ameaçando os fazendeiros brasileiros na região; o governador do Paraná, Beto Richa, destacou o papel da diplomacia

José Maria Tomazela e Evandro Fadel, correspondentes de O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2012 | 17h40

SOROCABA e CURITIBA - Apesar da promessa do presidente paraguaio Fernando Lugo de que a lei será cumprida e tudo será feito para evitar um conflito, a situação dos agricultores brasileiros que vivem na região do Alto Paraná, no Paraguai, os chamados 'brasiguaios', foi avaliada como "gravíssima" nesta terça-feira, 7, pelo secretário de Assuntos Internacionais de Foz do Iguaçu, Sérgio Lobato da Mota Machado. Segundo ele, ao contrário do que chegou a informar a imprensa daquele país, os 'carperos', como se autodenominam os sem-terra paraguaios, continuam ocupando as fazendas invadidas há mais de uma semana na região departamental de Nacunday, e estão cada vez mais ameaçadores. "Conversei hoje com vários produtores da região e eles disseram que a situação se agravou após o pronunciamento de Lugo, pois os invasores ficaram mais exaltados."

 

Na segunda-feira, 6, o presidente paraguaio prometeu assegurar a ordem e garantiu que os mandados judiciais de reintegração de posse das áreas invadidas seriam cumpridos. Segundo Machado, a trégua nas invasões prometida pelos líderes dos 'carperos' não trouxe resultado prático, pois as áreas continuam invadidas. "Não se notou recuo algum da parte deles." De acordo com o secretário, os sem-terra somam sete mil homens em acampamentos que se espalham pelas regiões de Santa Rosa del Monday, Santa Rita, Naranjal, Canindyu e Nacunday e estão armados com facões, porretes e armas de fogo.

 

Na última sexta-feira, o secretário enviou ofício à ministra chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, pedindo uma "intervenção imediata" do Ministério das Relações Exteriores e do Conselho Nacional de Imigração junto ao governo paraguaio no sentido de reforçar a proteção aos brasileiros. De acordo com Machado, é claro o objetivo de expulsão dos brasileiros que se deslocaram para a região há 40 anos com incentivo do próprio governo paraguaio. Ele lembrou que os "brasiguaios" não são invasores, pois adquiriram as terras de acordo com as leis do país. "Muitos têm filhos e netos paraguaios, o que gera uma situação constrangedora."

 

O secretário lembrou que o governo brasileiro tem sido um "bom irmão" para ao Paraguai, bancando até asfalto e escolas naquele país. "Está na hora do governo mostrar sua força diplomática e todo seu peso político para que os brasileiros que moram lá se sintam protegidos." De acordo com o secretário, os senadores Roberto Requião (PMDB-PR), Álvaro Dias (PSDB-PR) e Fernando Collor de Melo (PTB-AL) estão articulando, com vários deputados federais, a formação de uma comissão para visitar a fronteira e conversar com lideranças dos produtores e autoridades paraguaias em Foz do Iguaçu. A data ainda será definida.

 

Prejuízo. O governador do Paraná, Beto Richa (PSDB), manifestou preocupação com a situação de agricultores brasileiros radicados no Paraguai, durante visita que fez nesta terça-feira a Cascavel, no oeste do Paraná, para participar do Show Rural, uma das maiores feiras agropecuárias do País. Os maiores conflitos acontecem a cerca de 75 quilômetros da divisa com Foz do Iguaçu, no município de Ñacunday.

 

"Obviamente que se forem expulsos e não tiverem mais espaço no Paraguai virão para cá e trarão alguns prejuízos e preocupações para todos nós", afirmou Richa, durante entrevista coletiva. "É importante que estejam lá, já estão ambientados, já têm uma vida feita no campo, produzindo, ajudando o Paraguai." Richa disse que a questão é diplomática, mas adiantou ter conversado sobre o assunto com deputados, senadores e o vice-presidente do Paraguai, Federico Franco.

 

"Estamos buscando através dessas autoridades que o direito de propriedade, que o direito dos brasileiros sejam preservados", reforçou. "Evidente que muito mais força para isso tem o governo federal, mas estamos fazendo a nossa parte e estou otimista que podemos atenuar esta crise que se instala na divisa com o Paraná."

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