Situação dos bancos exigiu Proer, diz ex-diretor do BC

O ex-diretor de Fiscalização do Banco Central Luiz Carlos Alvarez justificou a criação do Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer), no final de 1995, argumentando que, antes da adoção do Plano Real, "a avaliação era de que a situação de todo o sistema financeiro era muito pior do que os analistas mais pessimistas poderiam imaginar". Alvarez fez a afirmação em depoimento à CPI do Proer, na Câmara dos Deputados. Segundo Alvarez - que deixou o Banco Central em 1999 depois de ter afirmado que o relatório de conclusão da CPI dos Bancos, no Senado, era um "lixo" -, a criação do Proer "foi muito importante para a Nação". O ex-diretor explicou que, na época, as dificuldades dos bancos estavam sendo geradas pelas mudanças na economia, principalmente o fim da inflação, que diminuiu o ganho das instituições. "Era uma panela de pressão, pronta para explodir", disse. Ao responder a uma pergunta do deputado Alberto Goldman (PSDB-SP) sobre o caso do Banco Nacional, Alvarez disse que "foi de decepção" a primeira reação dos técnicos do BC, ao constatarem a fraude das 652 contas fantasmas, e que eles tiveram a impressão de que o País poderia explodir com a quebra de um banco daquele porte. "Chegamos a pensar que era melhor ir para casa", afirmou o ex-diretor. Acrescentou que "foi uma engenharia de altíssimo nível fraudar as contas e ficar tanto tempo sem ser detectado pelo Banco Central".

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