Reprodução/Twitter Mediapart
Reprodução/Twitter Mediapart

Site francês que originou ataques contra repórter do 'Estado' diz que informações são falsas

'Mediapart se solidariza com a jornalista Constança Rezende, vítima de ameaças', escreveu a empresa no Twitter

Alessandra Monnerat, Caio Sartori e Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

11 de março de 2019 | 16h59

O próprio site francês Mediapart, onde foram publicadas declarações distorcidas da repórter do 'Estadão' Constança Rezende, desmentiu na tarde desta segunda-feira, 11, em português, as acusações repercutidas pelo site Terça Livre e pelo presidente Jair Bolsonaro neste domingo. No Twitter, o portal francês disse se solidarizar com Constança.

“As informações publicadas no ‘club de Mediapart’, que serviram de base para o tweet de Jair Bolsonaro, são falsas. O artigo é de responsabilidade do autor e o blog é independente da redação do jornal”, diz a publicação.

A publicação original que acusou a repórter do Estado de tentar “arruinar” o governo de Jair Bolsonaro foi feita em um blog produzido por leitores do Mediapart. O texto, intitulado “Para onde vai a imprensa?”, foi publicado em uma seção do site chamada “Le Club”, uma espécie de fórum online no qual internautas podem manter blogs próprios.

O texto original é assinado por Jawad Rhalib, que se apresenta como “autor, cineasta, documentarista e jornalista profissional”. O blog de Rhalib tem sete postagens, que começaram a ser publicadas em dezembro de 2018. Qualquer assinante do site Mediapart pode participar da seção Le Club. A assinatura custa dois euros por semana. O Estado procurou contato com Rhalib por email e por telefone. Não houve resposta.

A publicação do site francês foi citada pelo portal bolsonarista Terça Livre para dar tom de veracidade à informação falsa de que a repórter do Estado Constança Rezende teria declarado, em uma conversa gravada. ter a intenção de arruinar Bolsonaro. Os áudios divulgados no blog mostram que a repórter não falou isso.

No texto “Para onde vai a imprensa?”, Rhalib escreve que pediu a uma fonte, um estudante de uma “famosa universidade britânica focada neste tema” para entrevistar Constança. O blogueiro escreve que, na gravação, a repórter teria revelado que “a verdadeira motivação por trás da cobertura negativa da mídia é a de ‘arruinar’ o presidente Jair Bolsonaro e causar sua demissão”. A transcrição da “entrevista”, no entanto, não corrobora essa versão.

Rhalib também erra ao dizer que a divulgação dos documentos do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) por jornalistas seria ilegal. O artigo 5º da Constituição Federal assegura o acesso à informação e resguarda o sigilo de fontes, quando necessário ao exercício profissional.  

Outro site que espalhou a história foi o jornal americano Washington Times. Assim como a publicação no site francês, trata-se de um artigo de opinião, assinado por L. Todd Wood. No texto, o articulista repercute a “entrevista” como se a repórter estivesse falando algo conspiratório contra Bolsonaro. Wood também já escreveu artigos sobre uma suposta ‘agenda globalista’ e sobre mudanças climáticas, que descreve como um “golpe” perpetrado por comunistas.

O jornal, que existe desde 1982, coleciona uma série de polêmicas em suas coberturas, com viés sensacionalista e acusações de ser um espaço aberto para ideias racistas, por exemplo.

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