GABRIELA BILO/ESTADÃO
GABRIELA BILO/ESTADÃO

Site diz que força-tarefa acatou sugestão de Moro sobre procuradora

Então juiz teria reclamado do desempenho de Laura Tessler, integrante da força-tarefa da Lava Jato

Redação, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2019 | 20h19

Conselho do então juiz Sérgio Moro dado a procuradores da República foi acatado pela força-tarefa da Lava Jato, de acordo com informações do site The Intercept Brasil divulgadas nesta quinta-feira, 20, na Rádio BandNews. Moro teria reclamado ao procurador Deltan Dallagnol, por meio de mensagem no Telegram, do desempenho da procuradora Laura Tessler em audiência no dia 13 de março de 2017. Em razão disso, os procuradores teriam decidido que ela só participaria de audiências se acompanhada por outros procuradores.

Naquele dia, a 13.ª Vara Criminal ouviu o depoimento do empreiteiro Emílio Odebrecht no processo em que o filho Marcelo Odebrecht e o ex-ministro Antonio Palocci eram acusados de corrupção. Após a reclamação do então juiz, Dallagnol, coordenador da força-tarefa de Curitiba, teria procurado o colega Carlos Fernando dos Santos Lima para falar do assunto. Os dois, segundo o site, decidiram que Laura só deveria realizar audiências se estivesse acompanhada dos procuradores Júlio Noronha e Roberson Pozzobon, também da força-tarefa.

Na suposta conversa, realizada por meio do aplicativo Telegram, Dallagnol e Santos Lima decidiram que Laura não deveria estar sozinha em audiências, principalmente as do processo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo o site, Dallagnol só explicou qual era a reclamação de Moro depois de se certificar que Santos Lima não estava visualizando as mensagens em um computador, que poderia ser visto pelos colegas.

Nesta quarta-feira, 19, em audiência no Senado, Moro foi indagado sobre o suposto conselho pelo senador Nelsinho Trad (PSD-MS). O hoje ministro da Justiça afirmou: “Não tem nada de anormal nessas comunicações”. Disse ainda não ter certeza do teor da mensagem, mas declarou que a demanda não interferiu nos trabalhos do Ministério Público. “Tanto que essa pessoa continua e continuou realizando atos processuais e audiências.”

A força-tarefa da Lava Jato informou que não vai se manifestar. O Ministério da Justiça afirmou em nota que a mensagem atribuída a Moro “pode ter sido editada ou adulterada” pelo grupo criminoso que hackeou o seu celular. O texto diz ainda que a troca de mensagens, “mesmo se autêntica, nada tem de ilícita ou antiética”.

General Heleno defende Moro

O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, afirmou considerar como mais um “triste capítulo da história do Brasil” o depoimento de Moro no Senado. Em mensagem distribuída ontem, Heleno defendeu o ex-juiz e comparou a audiência com senadores a uma inquisição.

“Governado por mais de vinte anos por uma verdadeira quadrilha, o País foi vítima de um gigantesco desvio de recursos, que envolveu grandes empresas privadas e estatais, fundos de pensão, governantes e políticos, em todos os níveis. Alguns protagonistas desse criminoso projeto de poder e enriquecimento ilícito participaram, com a cara mais lavada do mundo, dessa inquisição ao ministro Moro.” Para Heleno, “uma total inversão de valores colocou um herói nacional, frente a frente com indiciados e condenados pela Lava Jato.”

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