Sistema de saúde em Brasília sofre devassa

O sistema público de saúde no Distrito Federal há mais de duas semanas passa por uma devassa. Depois de vários meses de denúncias de compras sem licitação, desabastecimento da rede e superfaturamento, o Ministério da Saúde determinou a realização de uma auditoria.Indícios de várias irregularidades foram constatados. O material foi enviado para o Ministério Público, a quem caberá dar continuidade nas investigações.Na auditoria feita entre os dias 25 e 29 de novembro, vieram à tona falhas no planejamento, falta de medicamentos e também de material hospitalar. Além disso, a equipe de auditores constatou que os recursos de vários programas eram movimentados em conta única, ao contrário do que recomenda o Ministério da Saúde.Por causa dessa forma de movimentação, não foi possível constatar se os recursos foram ou não empregados de forma devida.De acordo com relatório, 60% das compras haviam sido feitas por dispensa de licitação. Alguns produtos teriam sido adquiridos por valores até 374% acima do valor de referência do Ministério da Saúde. Ao mesmo tempo, havia desabastecimento. Segundo a auditoria, dos 87 itens de remédios considerados de atenção básica, 38 não estavam disponíveis.O secretário de saúde do Distrito Federal, Arnaldo Bernardino, que assumiu dia 25, não esconde que o sistema por ele encontrado está um caos. Embora a situação seja dramática, Bernardino resiste em atribuir responsabilidade ao antecessor, Aloísio Toscano. "Não sou Deus para julgar", disse.Bernardino, porém, critica a auditoria feita pelo Ministério da Saúde. "Foi tudo muito rápido. Muito do que se fala é mero ?chutômetro?." Ele atribui, por exemplo, a falta de licitação a problemas de gerenciamento. "Eram feitas compras de emergência, porque faltavam medicamentos. E isso pode ser feito", diz.O ex-secretário de saúde foi procurado pelo Estado. Por meio de sua assessoria, alegou não ter tempo para dar entrevista.Depois da auditoria, o Ministério da Saúde determinou a realização de um plano para garantir a assistência à saúde da população do Distrito Federal. A intenção é que Ministério Público e Ministério da Saúde acompanhem a aplicação dos recursos destinados ao Distrito Federal. O plano deverá corrigir a execução do Fundo de Saúde do DF e das aquisições de insumos.Foi determinado ainda que a auditoria fosse estendida a toda rede de unidades e serviços de saúde do DF. "Se tivesse dinheiro, também faria uma auditoria. Preciso saber como estão as coisas, para poder trabalhar", afirmou o secretário do Distrito Federal.

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