Sistema de cotas ainda provoca polêmica na UnB

Apesar de terem mesmo tom de pele, universidade reprovou pai e sua filha conseguiu ingressar na universidade

16 de fevereiro de 2008 | 14h33

O sistema de cotas para negros e pardos na Universidade de Brasília (UnB) ainda provoca polêmicas, mesmo com a mudança da forma de avaliação. Desta vez, a confusão teve como ponto de partida dos vestibulandos Joel Carvalho de Aguiar, de 35 anos e sua filha, Luá Resende Aguiar, de 16 anos. Apesar de terem o mesmo tom de pele, ele foi considerado branco por uma banca examinadora e ela, parda.   Um dia depois de o caso ser revelado pelo jornal O Correio Braziliense, a organizadora do vestibular voltou atrás. Joel recebeu um telefonema de uma representante da instituição admitindo "um erro técnico". "Meu nome teria sido incluído incorretamente na lista dos reprovados", contou ontem Joel.   O candidato, que concorre a uma vaga no curso de Letras/Espanhol, disse não ter elementos para atribuir a reviravolta à repercussão que o caso conquistou. Sua história, porém, é semelhante a que ocorreu ano passado com os gêmeos idênticos Alan e Alex Teixeira da Cunha. Na seleção para segundo semestre de 2007, feita por fotos, Alan teve seu pedido como cotista aceito na UnB. Mas seu irmão foi reprovado. Diante da repercussão negativa do caso, a seleção dos candidatos, feita por meio da análise de fotos, foi alterada. Agora, candidatos inscritos pelo sistema de cotas fazem prova e os melhores colocados são chamados para uma entrevista com uma banca examinadora.   Joel ingressou com recurso contra decisão da organizadora do vestibular na última quinta-feira. No dia, recebeu a informação de que seu caso seria julgado em até 15 dias. A maior preocupação do candidato era o prazo. "A lista de primeira chamada será divulgada dia 20, fiquei apreensivo que até lá não teria mais nada a fazer", contou Joel.   Luá prestou vestibular para Ciência Política. Com mais sete candidatos, ela concorre a quatro vagas disponíveis pelo sistema de cotas para o curso. Seu pai foi chamado, com mais três candidatos, para concorrer a duas vagas do curso de Letras/Espanhol. Caso o erro não tivesse sido admitido a tempo, Joel, embora tenha conquistado uma boa pontuação na prova, estaria desclassificado. "A justificativa é a de que um candidato não pode concorrer duas vezes", afirmou Luá. "Mas a prova é a mesma", argumentou. "Além disso, está claro que a avaliação da banca é totalmente subjetiva."

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