Sistema de comunicação do BNDES pode ter sido grampeado

O sistema telefônico e provavelmente a rede de informática do escritório de São Paulo do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) sofreram algum tipo de violação no início do ano, segundo informação confirmada pela assessoria do banco. Tão logo foi percebida a invasão, e a levantada a hipótese de que os telefones da instituição estivessem grampeados, foram contratatos serviços indenpendentes para que fossem feitas varreduras, que oficialmente nada encontraram. O presidente do banco e o ministro do Desenvolvimento e Comércio Exterior trabalham e usam a infraestrutura do escritório paulista quando estão na cidade.A explicação oficial para o episódio é trivial. Segundo disse uma fonte do banco à Agência Estado, a varredura levantou a possibiluidade de que um vigia noturno do banco tenha arrombado com outra finalidade a sala de comunicações, da qual se tem acesso à malha de fios que dão acesso a rede de telefonia e de computadores, e sem querer danificado alguns fios. O objetivo dessa pessoa, que não foi identificada, teria sido simplesmente o de assistir a um programa de televisão de madrugada. Os sinais de violação eram tão evidentes, no entanto, que a direção do BNDES determinou que se procedessem varreduras minuciosas.O episódio não ficou apenas nisso. Em Brasília, o ministro do Desenvolvimento, Sérgio Amaral, tão logo foi informado do caso, procurou o ministro-chefe da secretaria de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, relatou-lhe o episódio e foi aconselhado a também promover varreduras nos principais gabinetes do ministério. Amaral pensou em recorrer aos serviços da Polícia Federal, mas depois preferiu optor pela experiência dos especialistas da Agência Brasileira de Inteligência (Abin). Nenhum grampo ou sinal dele foi encontrado no ministério. A escuta ilegal nos telefones da presidência do BNDES no Rio, em 1998, foi uma das causas da demissão do então ministro das Comnunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e tornou-se um dos maiores mistérios políticos do primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. A privatização do Sistema Telebrás, que na época do grampo envolveu valores em torno de US$ 21 bilhões, foi feita sob o signo do escuta telefônica clandestina. As fitas com gravações de conversas do ministro, e do próprio presidente da República, oficialmente "foram achadas" debaixo de um viaduto em Brasília.

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