SIP quer defesa da mídia na cúpula de abril

Em reunião no Panamá, presidente do país diz à entidade que levará tema a outros líderes da América Latina

GABRIEL MANZANO, O Estado de S.Paulo

08 de março de 2015 | 02h01

O presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, aceitou nesse sábado, 7, o pedido da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) para que leve à Cúpula das Américas, a se realizar na Cidade do Panamá, em abril, uma proposta para que a causa da liberdade de expressão “esteja presente em qualquer decisão que seja tomada” naquele encontro.

O compromisso foi assumido no discurso da abertura oficial da Reunião de Meio de Ano da SIP, que reúne desde sexta-feira, no Panamá, cerca de 200 jornalistas e executivos de mais de 20 países do continente. Varela atendia, assim, a uma sugestão feita pouco antes pelo presidente da entidade, o peruano Gustavo Mohme. “Ofereça a mensagem aos demais líderes, para que a discussão da liberdade de expressão seja um dos pontos centrais de toda a discussão”, pediu Mohme. “Vou apresentar o tema em qualquer fórum de que participe”, respondeu-lhe o presidente panamenho. “Presidente, dê bons conselhos ao conversar com Nicolás Maduro (presidente da Venezuela) e Raul Castro (presidente de Cuba)”, disse a seguir Miguel Otero, do jornal El Nacional, de Caracas.

A Cúpula das Américas reunirá, entre 10 e 11 de abril, delegações de todo o continente - e nela se esperam importantes avanços na reaproximação de Cuba com os EUA e com governos latino-americanos. 

Relatórios. O segundo dia da reunião da SIP foi tomado pela leitura, país por país, de relatórios sobre a liberdade de imprensa em cada um. A votação desses textos será feita amanhã, na sessão final do encontro. 

O balanço geral sobre o tema apontou oito mortes de jornalistas nos últimos seis meses - no México, em Honduras, Colômbia, Peru e Paraguai - e informou uma crescente pressão contra jornalistas em cinco países: Venezuela, Argentina, México, Equador e Colômbia.

O relatório da Venezuela fala em “asfixia quase total” da mídia, e diz que a informação “virou segredo de Estado”. O da Argentina diz que as pressões contra jornais da oposição só crescem e que o governo Cristina Kirchner dobrou as verbas de publicidade, mas só as repassa a aliados. O da Colômbia destacou que, desde 1977, houve 144 assassinatos de jornalistas e só 19 condenações. 

Um dos pontos altos do dia foi a leitura do relatório sobre Cuba, feito pela dissidente cubana Yoani Sanchez. Segundo ela, “apesar do anúncio de reatamento de relações Cuba-EUA, ainda não se notaram melhorias no acesso a canais de informação”. Mas os cubanos, disse ela, “já se tornaram experts em driblar as proibições. Eles nos proíbem, mas somos lidos”.

Programação

Domingo

9 horas

Homenagem a Gabriel
Garcia Marquez

11 horas

Painel "Debilidade institucional: um peso para a América Latina"

12h30

Painel "Uma nova América? O impacto geopolítico após o acordo EUA-Cuba"

Segunda

9 horas

Conclusão dos debates
sobre os relatórios nacionais
de liberdade de expressão

12h30

Relatório sobre sedes de futuros encontros e encerramento com a palestra do presidente da SIP, Gustavo Mohme: "Nossos desafios futuros"

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