SIP debate violência contra a imprensa

Relatório dos países serão apresentados na assembleia-geral a partir de domingo; Brasil relata assassinatos, prisões, agressões e casos de censura

Gabriel Manzano / ENVIADO ESPECIAL / LIMA, O Estado de S.Paulo

13 de outubro de 2011 | 22h40

A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), que reúne cerca de 1.300 jornais, começa nesta sexta-feira, 14, em Lima, a sua 67.ª Assembleia-Geral, marcada por um dado preocupante: 21 jornalistas foram assassinados no exercício da profissão nos últimos seis meses – desde o encontro anterior da entidade em San Diego, nos Estados Unidos.

 

Esse número torna os cerca de 30 relatórios nacionais – a serem lidos e discutidos a partir do domingo – o item mais importante do encontro, ao qual devem comparecer cerca de 500 editores e jornalistas de 30 países.

 

O documento sobre o Brasil, a ser apresentado por Paulo de Tarso Nogueira, vice-presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da entidade, deve ser um dos primeiros. Nele, o total de crimes e violações contra a liberdade de imprensa chega a 23. São 4 assassinatos, 2 prisões, 8 agressões e 6 novos casos de censura determinada por juízes de vários Estados do País.

 

Presidida pelo guatemalteco Gonzalo Marroquín, editor da revista Siglo 21, a assembleia será formalmente aberta apenas na segunda-feira, com um discurso do presidente peruano Ollanta Humala. Desde sua campanha presidencial, e nas decisões como presidente, ele tem defendido, como prometera, a liberdade de expressão no País. Dois ex-chefes de Estado também participarão do encontro – Carlos Mesa, da Bolívia, e Alejandro Toledo, do Peru – para um painel sobre as relações entre jornalismo e política.

 

Mas outros temas estão no programa dos próximos cinco dias. Os participantes, que divulgam informação para um total de 44 milhões de leitores, do Canadá à Patagonia, vão debater também, em vários painéis, problemas como o papel do celular na criação de novos públicos e novas fontes de receita e mecanismos legais que os governos têm utilizado, em tempos recentes, para pressionar a mídia e criar novas formas de censura.

 

Programação. Dois momentos “quentes” da agenda devem ocorrer na segunda-feira. No primeiro, o criador do WikiLeaks, Julian Assange, participará por teleconferência de uma discussão sobre sua atuação na divulgação de dados sigilosos de governos.

 

No segundo, juristas e jornalistas vão analisar o caso do fechamento do tabloide inglês The News of the World, pivô de um escândalo, na imprensa britânica, pelo modo como invadiu a vida privada de celebridades, para torná-la pública.

 

O encontro termina na terça-feira, com a atribuição de vários Prêmios SIP de Excelência Jornalística, um deles para os jornalistas do Estado, Leonencio Nossa, Celso Jr. e Eduardo Barela, pelo caderno especial Guerras Desconhecidas do Brasil, publicado no dia 26 de setembro, que descreve revoltas populares ocorridas ao longo do século 20.

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