SIP debate cobertura policial e violência contra mídia

A imprensa está perdendo a batalha contra a violência? A pergunta, em tempos de crime organizado e atentados políticos em vários países do continente, foi o tema do último painel da Assembleia-Geral da SIP - e para ela dois palestrantes abordaram enfoques complementares.

GABRIEL MANZANO, Agência Estado

17 de outubro de 2012 | 10h55

Marcelo Godoy, chefe de Reportagem da editoria Metrópole do jornal O Estado de S. Paulo, destacou a mudança, para pior, da imagem do jornalista que cobre temas policiais. "Antes ele era bem recebido, hoje é visto como inimigo", resumiu, referindo-se às áreas de periferia urbana dominadas pelo crime organizado.

O sociólogo e cientista político Tulio Kahn preferiu abordar as distorções que, segundo ele, ocorrem no modo como a violência urbana é apresentada pela mídia. Uma de suas conclusões é que "é preciso fazer uma apresentação mais contextualizada dos eventos criminais".

Godoy, veterano repórter de assuntos policiais, advertiu que, principalmente a partir de 2002, quando foi assassinado no Rio de Janeiro o jornalista Tim Lopes, houve um deslocamento das coberturas do tema para o noticiário político. Ele mencionou as grandes operações da Polícia Federal realizadas desde então, como a Anaconda.

Depois de revelar o aumento, ao longo dos anos, do uso da expressão "organização criminosa" nos jornais, Godoy retomou uma pesquisa divulgada na própria Assembleia da SIP no dia anterior: "Os 33% (de jornalistas) que afirmaram que as ameaças vêm das organizações criminosas refletem o modo como a imprensa trata e mostra as máfias e a ação policial nas páginas dos jornais." Mencionou as soluções apontadas, como a federalização ou o agravamento das penas, nos crimes contra a imprensa.

Tulio Kahn argumentou que "embora na maioria dos casos os crimes não sejam violentos, a imprensa sugere o contrário", às vezes denotando uma sobrerrepresentação de grupos minoritários como responsáveis. "As estatísticas mostram que a maioria dos crimes é cometida por brancos e paulistas", advertiu. Na plateia, o jornalista uruguaio Claudio Paolillo, da diretoria da SIP, ressaltou que "quando se mata um jornalista não é um crime comum. Mata-se também a informação que ele levaria à sociedade e se induzem outros profissionais à autocensura. Não há como medir esse impacto. "As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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