Sindicatos vão às ruas 'contra ruptura'

Centrais sindicais e movimentos populares fazem hoje atos pelo País para pressionar governo federal, mas condenando o 'Fora Dilma'

O Estado de S.Paulo

13 de março de 2015 | 02h05

BRASÍLIA - Centrais sindicais vão hoje às ruas de 27 capitais em todo o País contra a "ruptura democrática" e pela garantia dos direitos trabalhistas. A Central Única dos Trabalhadores (CUT), organizadora dos atos, refuta a ideia de que os protestos sejam em defesa do governo, mas levanta a bandeira contrária ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. A pauta de reivindicações também inclui maior interlocução com o Planalto.Os atos contam com apoio, em algumas capitais do País, do PT, do PC do B e do PSOL.

A central informa ter mobilizado 3.820 entidades em 27 capitais, com fretamento de ônibus, distribuição de faixas, cartazes e camisetas a cargo dos sindicatos. A CUT ressalta que não conta com a ajuda de empresas para custear o evento. Para isso, serão usados recursos da entidade. Cerca de 80% do caixa da central, tal qual das demais centrais, é formado pelo repasse do imposto sindical pelo governo. Apesar de ser a única entre todas as seis centrais beneficiadas pelo dinheiro a declarar-se contrária ao imposto sindical, a CUT embolsou mais de R$ 52 milhões do governo no ano passado. Em alguns Estados, o movimento recebe apoio de partidos como o PT, PC do B e PSOL.

Da Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB), o vice-presidente Joílson Cardoso, que também é da direção do PSB, afirmou que estará hoje no Rio de Janeiro "defendendo a Petrobrás, a democracia e os direitos dos trabalhadores". Segundo ele, as manifestações de domingo são "em parte patrocinadas pelo PSDB, que não aceita ter perdido as eleições".

A pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), João Pedro Stédile, um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), participa do ato de hoje à tarde na Cinelândia, centro da capital fluminense. No mês passado, em discurso no Rio, Lula cobrou mais participação da militância e convocou Stédile a colocar "seu exército" na rua, referindo-se à capacidade de mobilização da entidade.

Cerca de 1.200 sem-terra são esperados na manifestação no Rio. Eles chegam à capital fluminense em 20 ônibus vindos de redutos do MST no Estado.

O MST não se propõe a fazer a defesa do governo Dilma. A postura será a de defender a democracia. "Houve uma eleição legítima e essa institucionalidade para o bem do País e da democracia deve ser defendida", disse Stédile na segunda-feira.

Além do MST, o Sindicato dos Petroleiros do Rio de Janeiro pretende transportar em 15 ônibus cerca de mil filiados ao centro do Rio. A Polícia Militar organizou um esquema que prevê a mobilização de 400 policiais para acompanhar o protesto.

Plataforma. Os sindicalistas que vão hoje às ruas vão defender ao menos sete bandeiras diferentes. "Defesa da Petrobrás, redução da jornada de trabalho, manifestação contra o impeachment da presidente Dilma, luta pelo fim do fator previdenciário, grito contra as medidas provisórias do governo Dilma, garantia de uma Caixa Econômica Federal 100% estatal e fim do fator previdenciário", resumiu Cardozo, da CTB.

A Conlutas, central ligada ao PSTU, não vai participar de nenhum dos dois protestos. "Nem com o governismo, no dia 13, nem pelo impeachment, no dia 15", resume a entidade.

Em São Paulo, o ato contará com a adesão de entidades representantes de trabalhadores do campo, como Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), Movimento do Pequeno Agricultor (MPA), Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e Federação da Agricultura Familiar do Estado de São Paulo (FAF), que encerram hoje a Jornada Nacional de Direito dos Trabalhadores Rurais, iniciada no dia 5. "Vamos nos somar à classe trabalhadora urbana", disse Delwek Matheus, membro da coordenação nacional MST.

Reunião. As três entidades fizeram ontem um ato em frente ao escritório da Secretaria-Geral da Presidência da República em São Paulo para pressionar o governo a atender reivindicações que vão desde a garantia da reforma agrária à redução da tarifa de energia elétrica. Enquanto uma comissão se reunia com representantes do governo, cerca de 1,5 mil trabalhadores rurais bloquearam parcialmente a Avenida Paulista com faixas e carro de som. Para o ato de hoje, o grupo será reforçado com trabalhadores de outros Estados. A expectativa de Elvio Motta, da coordenação estadual da FAF, é uma adesão de 4,5 mil trabalhadores rurais. / BERNARDO CARAM, CARINA BACELAR, CLARISSA THOMÉ, FABIO GRELLET, JOÃO VILLAVERDE e VALMAR HUPSEL


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