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Sindicatos questionam ligação de filho do presidente do TCU com Faesp

O escritório de Tiago Cedraz, citado em delação premiada pelo presidente da UTC, teria conseguido reverter no Tribunal um relatório que pedia a reprovação das contas da Federação

Gustavo Porto, O Estado de S. Paulo

18 de julho de 2015 | 11h46

RIBEIRÃO PRETO - Sindicatos rurais pedem à Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) explicações pela ligação da entidade com o advogado Tiago Cedraz, citado em delação premiada pelo presidente da UTC, Ricardo Pessoa, como facilitador de negócios junto ao Tribunal de Contas da União (TCU). O advogado é filho de Aroldo Cedraz, presidente do órgão fiscalizador.

Segundo reportagem no portal da revista "Veja", o escritório do advogado conseguiu reverter, no TCU, um relatório que pedia a reprovação das contas de 2005 da Faesp e a aplicação de multas que chegariam a R$ 500 mil. Os sindicatos questionam ainda o fato de Cedraz ter sido advogado da Faesp no processo junto ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que criou, no ano passado, o Conselho dos Citricultores e das Indústrias de Suco de Laranja (Consecitrus).

Procurada pelo Broadcast desde a manhã de hoje, por telefone e por meio de e-mails, a Faesp não se pronunciou. 

"Ele (Tiago) nunca havia tido um processo sequer no Cade e foi o escolhido pela Faesp justamente na época da aprovação das contas no TCU para representá-la no órgão. É realmente estranho e espero que o presidente da Faesp (Fabio Meirelles) dê explicações aos agricultores", afirmou Marco Antonio dos Santos, presidente do Sindicato Rural de Taquaritinga (SP) e da Câmara Setorial da Citricultura no Ministério da Agricultura.

O sindicato já formalizou nesta sexta-feira (17) na Faesp um pedido de explicações por meio de um ofício pedindo esclarecimentos sobre a ligação da entidade e o advogado citado por Pessoa nas investigações da Operação Lava Jato. "Espero que o pedido não seja mais um engavetado", disse Santos.

O ex-presidente e atual presidente de honra do Sindicato Rural de Altinópolis (SP), João Abrão Filho, afirmou que, além das explicações da Faesp, cabe ao Ministério Público investigar possíveis irregularidades na ligação entre a entidade e Cedraz. "Esperamos que o Ministério Público tome uma atitude, pois a agricultura de São Paulo, que já não tem representação, não pode estar envolvida nisso", disse Abrão.

Já o presidente do Sindicato Rural de Jaboticabal (SP) e também da Câmara Setorial do Açúcar e do Álcool, Ismael Perina, também cobrou investigação sobre o caso e um posicionamento da Faesp. "Tem que investigar direito e saber se está certo ou errado. E não há razão de a Faesp não ter qualquer posicionamento ainda, o que ajudaria inclusive para os sindicatos a se posicionarem", disse Perina. (Gustavo Porto - gustavo.porto@estadao.com) 

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