Sindicatos não querem privatização de aeroportos

Federações e sindicatos dos aeroviários queremconvencer o governo a desistir de licitar as linhas aéreas e privatizar aeroportos, como prevê a proposta de autoria do Ministérioda Defesa para a criação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em discussão em uma comissão especial na Câmarados Deputados.De acordo com o Sindicato Nacional dos Aeroportuários, esse sistema faria com que as companhias aéreasse interessassem somente pelas linhas lucrativas.?Todo mundo ia querer operar na rota Brasília-São Paulo, e o que aconteceria com a linha Brasília-Teresina, por exemplo??,perguntou o presidente do sindicato, José Gomes Sobrinho.Segundo ele, o mesmo aconteceria com os aeroportos. ?Somente 10 são lucrativos no Brasil, os demais sãocomplementares de um sistema de 66 aeroportos e 78 centrais de controle de tráfego aéreo?, afirmou.?O empresário nãoinveste onde não dá lucro, portanto a privatização significaria o sucateamento do sistema?.De acordo com o ministro da Defesa, Geraldo Quintão, que esteve nesta terça-feira na Câmara para uma audiência pública sobre otema, o modelo da agência que vai transferir a administração da aviação civil da Aeronáutica para o setor civil ainda não estápronto e ainda deverá ser amplamente discutido no Congresso.?Há um fundo previsto para manter os investimentos dosEstados nos aeroportos?, disse.O advogado Sérgio Alonso, especialista em direito aeronáutico que representa os aeroportuários, afirma que modelo propostopelo governo de cobrar taxas para a concessão dos serviços às companhias aéreas pode ser questionado na Justiça.?Queremvender a concessão de serviços que, a princípio, é obrigação do governo suprir?, afirmou. Segundo ele, o custo dessa tarifa serárepassado ao consumidor, encarecendo as tarifas aéreas.Preocupado com a competitividade do setor diante da internacionalização da economia brasileira e a liberalização dosserviços prevista na Área de Livre Comércio das Américas (Alca), o governo está discutindo a desregulamentação do setoraéreo, com o objetivo de equiparar o padrão das empresas nacionais com os padrões das companhias internacionais.Oministro Quintão disse acreditar que o texto poderá ser votado na Câmara até o fim do ano.

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