Sindicatos estranham denúncias de Denise Abreu

Sindicalistas do setor aéreo estranharam as denúncias da ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Denise Abreu, que na quarta-feira afirmou ao jornal O Estado de S.Paulo ter sofrido pressão da Casa Civil para favorecer as negociações que resultaram nas vendas da VarigLog e da Varig. Selma Balbino, do sindicatos dos aeroviários, e Graziella Baggio, representante dos aeronautas, dizem que Denise tinha poder para reagir caso verificasse qualquer irregularidade. E ressaltam que o ônus desse episódio vai ficar para os trabalhadores, usuários e para o próprio setor, por causa do ambiente de insegurança que está sendo criado."Ela (Denise) não é santa nessa história. Ela sabia que estava errado, que estava infringindo o código (Código Brasileiro de Aeronáutica). Se estava tendo pressão política, deveria ter renunciado", afirma Selma. "A Denise tinha autoridade. Poderia ter tomado as providências", acrescenta Graziella. As duas sindicalistas afirmam não ter presenciado episódios de pressão política por parte de membros da Casa Civil durante o processo de recuperação judicial da Varig. Para Selma, além da Anac, a responsabilidade pela apuração de irregularidades é também do Ministério da Defesa. "É lamentável que tudo isso esteja acontecendo no setor, pois prejudica os trabalhadores e usuários. Como conseqüência, o setor aéreo vem perdendo credibilidade", afirma Graziella. Ela também estranhou o questionamento sobre a legalidade da venda da Varig, já que credores estatais da companhia aprovaram a sua venda por meio de leilão judicial, realizado em julho de 2006. "Se a venda é ilegal, por que o Banco do Brasil e a Infraero (Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária), por exemplo, aprovaram a negociação em assembléia?", acrescentou Graziella."Os trabalhadores foram vítimas de tudo o que está acontecendo. A VarigLog foi praticamente destruída por essa briga e os trabalhadores estão recebendo o ônus. Estão sendo demitidos e não pagos. Demissão em massa em uma empresa que tinha tudo para se consolidar como a maior do transporte de carga", afirmou Selma. Ela se referiu à disputa judiciária entre os acionistas da VarigLog.De um lado, o fundo americano de investimentos Matlin Patterson, originalmente dono de 20% das ações da empresa, conforme as regras do setor, mas que atualmente tem 100% das ações da companhia por causa de uma decisão da Justiça de São Paulo. Os acionistas brasileiros (Marco Antonio Audi, Luiz Eduardo Gallo e Marcos Haftel) tinham os 80% restantes, mas foram excluídos da sociedade. Ontem, porém, a Anac deu 30 dias para a VarigLog se adequar à legislação do setor aéreo, que determina o limite de 20% de capital estrangeiro em companhias aéreas nacionais.

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