André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Sindicatos elaboram documento 'para defender democracia e crescimento'

No documento, os sindicatos citam o 'calendário eleitoral', a 'estabilidade institucional' e os 'fundamentos constitucionais', numa indicação clara de defesa do governo Dilma Rousseff

JOÃO VILLAVERDE, O Estado de S. Paulo

13 de agosto de 2015 | 18h49

Brasília - Nas vésperas da manifestação popular contra a presidente Dilma Rousseff, os sindicatos de todas as seis maiores centrais do País se uniram para um documento, que será distribuído amanhã pelo País, para defender a democracia e o crescimento econômico. São 12 dos maiores sindicatos do País que assinam o "Chamado ao diálogo pela democracia, por crescimento econômico, inclusão social e desenvolvimento nacional", a que o Estado teve acesso. 

No documento, os sindicatos citam o "calendário eleitoral", a "estabilidade institucional" e os "fundamentos constitucionais", numa indicação clara de defesa do governo Dilma Rousseff, cujo mandato termina em 2018, mas é questionado pela oposição por conta dos possíveis crimes de responsabilidade fiscal em julgamento no Tribunal de Contas da União (TCU), que poderiam impulsionar um pedido de impeachment da presidente no Congresso.

Os 12 sindicalistas afirmam que o País precisa voltar a crescer e distribuir renda para que o emprego formal volte a crescer. "Tais desafios exigem, das forças vivas da sociedade brasileira, um claro posicionamento em defesa da democracia, do calendário eleitoral, do pleno funcionamento dos Poderes da República, da estabilidade institucional e dos fundamentos constitucionais como condição básica para a rápida e sustentada transição para o crescimento econômico", escrevem os sindicatos.

Entre os abaixo-assinados estão os sindicatos dos metalúrgicos do ABC, filiado à CUT, e de São Paulo (Força Sindical), além dos Comerciários de São Paulo, ligado à União Geral dos Trabalhadores (UGT).  Juntas, CUT, Força e UGT representam mais de 5 mil sindicatos e tem ligações partidárias completamente distintas. 

Enquanto a CUT é ligada ao PT e apoia o governo Dilma, a Força Sindical tem o presidente filiado ao Solidariedade, partido cujo presidente nacional, o deputado Paulinho (SD-SP), é defensor entusiasmado do impeachment. A direção da Força ainda conta com sindicalistas ligados ao PSDB, como o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, Antônio Ramalho, que é um dos 12 sindicalistas que assinam a carta.

A Força também conta com participação grande de sindicalistas do PDT, que, por sua vez, faz parte da base aliada do governo Dilma. Já a UGT, cujo presidente é filiado ao PSD e apoia o governo petista, conta com a direção ligada ao PPS, que defende o impeachment.

Estão representados, também, sindicatos da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), da Nova Central (NCST) e da Central de Sindicatos Brasileiros (CSB). A CTB é ligada ao PC do B e ao PSB, enquanto a CSB é o braço sindical do PMDB. 

Os sindicatos citam a necessidade do governo de combater a inflação, reduzir os juros, aumentar os investimentos em infraestrutura e também citam duas pautas próximas daquelas defendidas por empresários, como uma "política cambial que incentive a atividade produtiva" e a "modernização das instituições, das leis e do Estado".

Ao final, os sindicalistas "conclamam os demais segmentos da sociedade civil organizada a reestabelecer as pontes para o necessário diálogo visando a construção de compromissos e acordos para fortalecer a democracia, o crescimento econômico e o desenvolvimento social". 

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