Sindicatos acusam fazendeiros de Minas de patrocinar ações contra sem-terra

Líderes de várias entidades representativas dos trabalhadores rurais em Minas Gerais acusaram nesta terça-feira fazendeiros do Pontal do Triângulo Mineiro e de outras regiões do Estado de estarem patrocinando ações de grupos armados em assentamentos de sem-terra.Um documento reservado da Polícia Militar, divulgado pelo Ministério Público Estadual(MPE), conclui que a tensão social no campo tem aumentado nos últimos dias por conta da reação dos proprietários rurais. ?Em Minas Gerais, as questões relacionadas aos movimentos sociaistornaram-se mais preocupantes, pois representantes do Sindicato dos ProprietáriosRurais têm divulgado na imprensa que ?irão reagir a qualquer ocupação de terra, inclusive com uso de arma de fogo?, fato que se vem tornando realidade?, diz o documento, assinado pelo chefe do Estado-Maior da PM, coronel Jaime Pimentel de Souza.Entre as medidas sugeridas pelo comando da PM estão a intensificação do ?radiopatrulhamento nas áreas de tensão? e a repressão da ?ação de milícias armadas?. O documento da PM lista quatro episódios ocorridos neste ano, entre eles a expulsão, na madrugada da última segunda-feira, de cerca de 30 famílias de sem-terraque estavam acampadas na fazenda Inhumas Sanharão, no município de CampinaVerde, no Pontal do Triângulo.Os assentados foram expulsos por homens armados eencapuzados. A Polícia Militar prendeu 17 pessoas e apreendeu 25 armas ? 17 espingardas e oito revólveres ? em duas fazendas próximas. Após prestarem depoimento, os agressores foram liberados.?Com certeza foram os fazendeiros que organizaram essa ação?, disse o tenente Júlio César Ferreira Jacometti, da PM de Campina Verde. A área era ocupada há seis meses por um grupo ligado ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Iturama. Uma ação semelhante foi realizada no final do mês passado, quando cerca de 50 famílias foram expulsas de um acampamento em Santa Vitória, cidade próxima a Campina Verde.Um representante do Sindicato dos Produtores Rurais de Ituiutaba, que preferiu não se identificar, afirmou que está havendo abuso por parte dos sem-terra e que as invasões estão sendo organizadas, na maioria das vezes, por ?baderneiros?. Ele, no entanto, negou que fazendeiros estejam por trás das ações violentas de desocupação.O coordenador do Centro Operacional da Promotoria de Direitos Humanos e Conflitos Agrários, Afonso Henrique Miranda Teixeira, informou, por meio da assessoria de imprensa, que o MPE vai participar das investigações.O juiz da Vara de Conflitos Agrários de Belo Horizonte, Cássio Salomé, que também participou do encontro, manifestou preocupação com as denúncias apresentadas e defendeu a visita de autoridades às regiões onde os conflitos têm se agravado, além da realização de uma audiência pública para discutir o assunto na Assembléia Legislativa do Estado.Membros do Movimento dos Sem-Terra (MST), do Movimento Terra, Trabalho e Liberdade (MTL), da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) e da Liga dos Camponeses Pobres do Norte de Minas estiveram reunidos pela manhã com representantes do MPE, do Incra-MG, do Instituto de Terras de Minas Gerais(Iter-MG), e das polícias Civil e Militar.O problema se repete na região Norte do Estado. De acordo com Manoel Serapião, membro da Liga dos Camponeses, os fazendeiros criaram um segurono valor de R$ 10 mil que seria destinado às famílias dos agressores, caso eles morressem durante confronto com trabalhadores.Segundo ele, no último dia 03 de março, a mando de latifundiários, um bando de 40 pistoleiros expulsaram 30 famílias de sem-terra que haviam invadido a Fazenda Rio Verde, em Jaíba.

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