Sindicato espera relatório para definir ação sobre Alcântara

O físico Francisco Conde, de 54 anos, presidente do Sindicato dos Servidores de Ciência e Tecnologia, considera cedo para atribuir responsabilidades na explosão do foguete no Centro de Lançamento de Alcântara. Como presidente do Sindicato, ele prefere não tomar nenhuma atitude precipitada. ´Primeiro vamos esperar os relatórios e depois definirmos nossas ações." Conde não antecipou se pretende mover alguma ação pela morte dos técnicos. O físico lembra que vários reparos em equipamentos necessários para a montagem do foguete tiveram de ser adiados ao longo do projeto, por não haver recurso. Além disso, ele conta que muitos equipamentos "são velhos" e não recebem manutenção freqüente - o que demanda mais tempo de trabalho dos técnicos para produzir peças com qualidade. Segundo Conde, muitos técnicos especializados deixaram o processo, pois não viam perspectivas. "O mercado privado sabe o valor desses profissionais e paga bem pelos seus serviços", disse o sindicalista enfatizando: "Enquanto o governo federal, além de investir pouco nos projetos, oferece baixa remuneração e ainda atrasa nos repasses de verba, provocando a demora na conclusão dos programas."Atraso no programaEle garante que o programa aeroespacial brasileiro sofrerá um atraso de no mínimo dois anos. Segundo ele, com a explosão do foguete no Centro de Lançamento de Alcântara, o Brasil perdeu sua elite em profissionais da área. Dos 21 técnicos do Centro Técnico Aeroespacial (CTA), 18 tinham mais de 20 anos de experiência e participavam do processo de desenvolvimento do VLS desde o início. O deputado estadual Carlinhos de Almeida (PT), que também teve um parente morto na explosão do VLS, considera prematuro comentar o assunto. Ele lembra que o programa espacial brasileiro nunca teve acidentes com vítimas e o desastre em Alcântara pegou a todos de surpresa. Carlinhos disse que soube por meio de outros funcionários envolvidos no programa que, um dia antes da explosão, os técnicos haviam se reunido. "Eles deram-se as mãos para abraçar o foguete".

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