Sindicância isenta deputados do RS de culpa em fraudes

Fraude em selos na Assembléia do Estado gerou prejuízo de R$ 3,3 milhões e funcionário teria agido sozinho

Elder Ogliari, do Estadão,

01 de agosto de 2007 | 22h09

A comissão de sindicância que investigou a fraude dos selos na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul concluiu que o ex-diretor de Serviços Administrativos Ubirajara Amaral Macalão agia sozinho, sem participação de deputados no esquema. O relatório foi apresentado nesta quarta-feira, 1º, depois de 28 dias de trabalho. O desfalque nos cofres públicos aproximou-se de R$ 3,3 milhões.   Segundo a comissão, usando seu cargo, Macalão comprava selos desnecessários à emissão de correspondência da casa, registrada por duas máquinas franqueadoras. Depois adulterava a fatura emitida pelos Correios. Quando chegava à contabilidade, a nota descrevia somente o serviço das máquinas franqueadoras. Os selos pagos pelos cofres públicos eram repassados ao mercado com deságio.   Em seus depoimentos, Macalão chegou a dizer que agiu sob pressão de assessores de sete ex-deputados do PTB, PP, PT, PDT e PSDB, mas mudou sua versão diversas vezes e admitiu que se beneficiava da fraude depois que a Polícia Federal encontrou uma grande quantidade de selos escondida numa casa que usava para veranear.   Quatro ex-parlamentares já anunciaram que vão processar o servidor. A comissão pediu a abertura de processo administrativo para demissão de Macalão. O caso ainda não está encerrado. A Polícia Federal segue investigando se houve participação de funcionários dos Correios e quem eram os compradores dos selos.

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