Sindicância apura roubo de água no Piauí

Empregados da Companhia de Água e Saneamento do Piauí (Agespisa) estão sendo investigados por roubar água do sistema de captação e distribuição em São Raimundo Nonato, cidade que tem graves problemas de abastecimento mesmo em anos de chuvas regulares, situada no sudeste do Estado, a 517 quilômetros de Teresina. O presidente da Agespisa, Carlos Brayner, informou hoje que há uma sindicância para apurar a denúncia, feita pelo prefeito Avelar Ferreira (PFL). A água roubada ia para a casa de pessoas de classe média, que pagavam R$ 60,00 por um caminhão-pipa de 10 mil litros. "A água do sistema só pode ser fornecida através de caminhões-pipa para escolas ou hospitais. Fora disso, é uma prática irregular e, acima de tudo, desumana", disse Brayner.O roubo de água em São Raimundo Nonato é apenas uma das evidências de como a água está se transformando em artigo de luxo no semi-árido do Piauí. Em pelo menos oito municípios da microrregião de Pio IX, a seca fez ressurgir a figura do vendedor de água. Caminhões-pipa transportam água de distâncias que chegam a 100 quilômetros. Nos poços - alguns deles, públicos - uma pipa com capacidade de até 10 mil litros é vendida por R$ 5,00 e chega à casa das pessoas valendo 10 vezes mais. Quem não pode pagar por 10 mil litros compra apenas uma lata, com 20 a 25 litros, que custa R$ 0,50. É muito caro, porque a taxa de consumo mínimo cobrada pela Agespisa, R$ 6,90, equivale a 8.000 litros d´água. Quem pode pagar tem água sempre, mas a maioria das pessoas precisa esperar pelos carros-pipa das prefeituras (que são poucos) ou usar água imprópria para o consumo, um caldo grosso mais parecido com lama. "Aqui o problema seria resolvido com mais poços e adutoras, mas em Brasília sempre dizem que não há dinheiro para essas obras", reclama o prefeito de São Julião, Carlos Bezerra (PFL).Dinheiro pode não haver, mas em Teresina existem equipamentos que poderiam e não estão sendo usados no semi-árido. Quatro máquinas para a perfuração de poços artesianos profundos, dois tratores para escavação de açudes, kits para equipar 50 poços artesianos e 40 mil metros de tubulações para pequenas adutoras estão estocados no pátio do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca, na capital do Piauí.Os equipamentos, avaliados em R$ 1,7 milhão, não estão sendo utilizados por um detalhe burocrático: o Dnocs não foi incluído nas ações do governo federal para enfrentar os problemas causados pela seca. O presidente da Associação Piauiense de Municípios, José Maia Filho e o secretário da Defesa Civil, Osmar Araújo, vão encaminhar um pedido à direção do Dnocs para destinar os equipamentos aos municípios mais atingidos pela seca.

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