Sindicalistas fazem protesto e vaiam Lula em evento na Bahia

Ao lado do governador Jaques Wagner, presidente enfrentou manifestação de professores em Cachoeira

Tiago Décimo e Tânia Monteiro, O Estadao de S.Paulo

26 Maio 2009 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), viveram um episódio pouco comum em seus mandatos, na tarde de ontem, em Cachoeira, a 110 quilômetros de Salvador. Por alguns instantes, eles foram vaiados por representantes de entidades sindicais de professores e de trabalhadores da segurança pública. O motivo do protesto foi a falta de concurso para contratação de professores, escrivães e investigadores. Em uma das faixas empunhadas pelos manifestantes, a frase deixava clara a insatisfação. "Estudante autodidata não dá. Precisamos de professores já". Os dois estiveram na cidade histórica do Recôncavo Baiano para a inauguração das obras de restauração dos prédios do Quarteirão Leite Alves, que passa a dar espaço ao campus de Letras e Ciências Humanas da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), com capacidade para 2 mil alunos. "Eu vi companheiros reclamando da falta de laboratórios, da falta de professor", disse Lula. "É bom reclamar, mas é importante a gente ter clareza sobre o que está de fato acontecendo neste país. Pesquisem se tem um governo que tenha feito pelo menos 50% do que a gente já fez pela educação", desafiou. Segundo ele, as universidades federais eram restritas às capitais. "Agora, a gente faz uma aqui, depois vem um hotel, vem uma empresa, o que gera desenvolvimento descentralizado", argumentou Lula. O presidente fez um discurso curto, de menos de 20 minutos, alegando estar com "problema na garganta". "Talvez por ter falado, esta semana, em árabe, em chinês e em turco, minha garganta se enrolou", brincou. Aos que protestavam, Lula mandou um recado. "Possivelmente, tem gente que não reconhece a importância da restauração, da mesma forma como não reconhece o prato de comida que está na mesa, reclamando que não está bom." Menos diplomático, o governador baiano criticou os apupos até o final de seu discurso, quando disse: "Não tome a postura mal-educada e mal-agradecida de alguns como correspondente à do povo de Cachoeira". TERCEIRO MANDATO De Cachoeira, Lula, Wagner e o presidente do Senegal, Abdoulaye Wade, também presente à inauguração, seguiram para Salvador, para lançamento da terceira edição do Festival de Música e Arte Negra (Fesman), que é realizado entre 1º e 14 de dezembro no país africano. Depois de ser saudado com o refrão de suas campanhas eleitorais - "olé, olé, olá, Lula, Lula" -, no Teatro Castro Alves, onde comemorou o Dia da África, o presidente ouviu um pedido à porta do Hotel Pestana, onde está hospedado: "Presidente, plebiscito, terceiro mandato." Lula apenas riu e apontou para os jornalistas. "Tem de falar isso para a imprensa." Mas, abordado pelos repórteres para explicar o que queria dizer com aquilo, Lula não quis fazer nenhum comentário.

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