Temer promete cortar cargos e convence presidente da UGT a apoiar CPMF

Segundo Ricardo Patah, o presidente em exercício disse que, além de acabar com os 4 mil cargos já prometidos, ele vai eliminar no mínimo outros 10 mil em Direção e Assessoramento Superior

Carla Araújo e Gustavo Porto, O Estado de S.Paulo

16 de maio de 2016 | 16h27

Brasília - O presidente da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Ricardo Patah, afirmou nesta segunda-feira, 16, que defendeu a volta da CPMF no encontro com o presidente em exercício Michel Temer, demais sindicalistas e o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. "Eu defendi, mas sou favorável à CPMF carimbada, que em contrapartida o governo tire a gordura da máquina", afirmou. A informação foi antecipada pela Coluna do Estadão.

Para Patah, além dos 4 mil cargos que o governo Temer já prometeu cortar, é possível eliminar no mínimo 10 mil cargos de Direção e Assessoramento Superior (DAS). "Precisamos expor essa gordura e eliminar." Segundo Patah, as falas de Temer e de Meirelles tiveram um tom conciliatório e o clima da reunião foi bastante tranquilo. "O Meirelles não fez defesa de nada. Não teve nenhum momento de tensão", afirmou.

A fala de Temer foi considerada bastante ponderada e tranquila e, segundo Patah, o presidente em exercício reforçou a ideia de que não quer deixar como legado a retirada de direitos trabalhistas. Na reunião, ficou decidido que as centrais iniciarão na quarta-feira um grupo de trabalho para debater a reforça a trabalhista e terão o prazo de 30 dias para concluir os trabalhos que depois serão levados ao presidente.

Antes. Na chegada para o encontro, representantes de centrais sindicais disseram que o convite para o dialogo é importante, mas que é preciso ir além da conversa. Os integrantes das entidades demonstravam ceticismo. As declarações do novo ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, desagradarem em alguns pontos, como no caso da proposta de reforma da Previdência,

"Na vez anterior, Dilma também falou em diálogo e fomos surpreendidos com medidas que prejudicaram o trabalhador", disse o presidente da UGT, Ricardo Patah, ressaltando que os sindicalistas já são "gatos escaldados". "Vamos deixar claro uma posição: o importante é que todos nós queremos que estanque esse problema do desemprego", afirmou.

O presidente da Força Sindical, deputado federal Paulinho da Força (SD-SP), avaliou que o novo governo "precisa entender primeiro a Previdência, para depois falar de reforma" no setor. Para ele, declarações como a de Meirelles, sobre a necessidade de uma reforma do setor, foram "um estresse logo de cara" no governo Temer.

O presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros (CSB), Antônio Neto, afirmou que antes de discutir reforma da previdência é preciso avaliar outras questões, como a desoneração de empresas exportadoras do agronegócio. "Alguns dizem que não querem pagar o pato, e nós não queremos pagar a conta", ironizou, citando a campanha da Fiesp contra o aumento de impostos.

Além de representantes de Força Sindical, UGT e CSB, estão presentes no encontro membros da Nova Central Sindical de Trabalhadores e os ministros Meirelles, Eliseu Padilha (Casa Civil) e Ronaldo Nogueira (Trabalho). A principal entidade sindical, a Central Única dos Trabalhadores (CUT), que apoia a presidente afastada Dilma Rousseff (PT), informou que não irá ao encontro.

Demandas. As centrais são contra a reforma da Previdência, em especial em relação à idade mínima e ao aumento do tempo de contribuição. Outro ponto que elas querem discutir hoje com o novo governo é a revisão da legislação trabalhista.

Na sexta-feira, Meirelles disse que a proposta de reforma da Previdência deve respeitar os direitos adquiridos. Mas ressaltou que esse conceito é "impreciso". Afirmou ainda que sua equipe trabalha em cima de revisão da legislação trabalhista.

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