Sindicalista quer teto único para aposentadoria de R$ 4,8 mil

Independentemente do novo sistema a ser adotado, a reforma da previdência deverá proteger os servidores públicos que recebem menor remuneração e, para isso, o melhor mecanismo é adotar um teto de aposentadoria. A avaliação é do presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijó, que sugere, assim como a Central Única dos Trabalhadores (CUT), um teto de aposentadoria de R$ 4,8 mil, válido para trabalhadores do serviço público e também privado. "Sou solidário aos funcionários públicos que ganham salários mais baixos, mas não com aqueles que defendem a manutenção de privilégios e que querem continuar recebendo salários de R$ 17 mil, R$ 20 mil", disse à Agência Estado. Ele argumenta que todos os servidores que recebem salários superiores a R$ 15 mil têm condições de construir patrimônio ao longo de sua carreira profissional e, por isso, não dependem tanto da aposentadoria. Feijóo sustenta que, ao garantir um teto de R$ 4,8 mil, a maior parte dos servidores está "coberta" para a sua aposentadoria e, portanto, "não há nenhum mal" em os servidores com salários acima de R$ 4,8 mil pagarem um sistema complementar de aposentadoria. "Para quem ganha mais de R$ 4,8 mil, qual a diferença de receber uma parte da aposentadoria de um sistema de previdência público ou misto, público-contributivo? Esse aposentado vai continuar recebendo seu benefício do mesmo jeito. Só haverá alteração para racionalizar o sistema", argumenta. O sindicalista sustentou que adotar um regime transitório, garantindo aposentadoria integral para os servidores que estão na ativa e um novo modelo para os contratados após a reforma, "é melhor do que nada." "A transição pode fazer uma correção e menos pessoas serão prejudicadas, mas não tem como, em uma reforma, não se combater privilégios de alguns grupos", opinou. Ele avaliou ainda como positivo o debate travado nos últimos dias em torno da aposentadoria integral ou não dos servidores, o que, para Feijó, provocou o ingresso de outros agentes, como governadores e parlamentares, no debate. "Os governadores estavam todos ´na moita´ e tiveram que sair com esse novo debate para defenderem também a reforma. O mesmo aconteceu com os deputados federais. É bom deixar claro que a sociedade quer a reforma e não vai aceitar a manutenção de privilégios", comentou.

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