Sindicalista pode entrar na mira da Receita Federal

Hamilton Mathias, sindicalista da delegacia de Mauá, disse ser inocente e estar tranquilo

Leandro Colon

28 de agosto de 2010 | 01h59

BRASÍLIA - Depois do indiciamento de duas servidoras por violar os sigilos dos dados fiscais de quatro tucanos, um sindicalista pode entrar na mira da Receita Federal. É o funcionário Hamilton Mathias, que trabalha na mesma sala onde foi violado o sigilo fiscal do vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, e de três pessoas ligadas ao PSDB. Mathias é delegado do Sindireceita (Sindicato dos servidores da Receita) no grande ABC, região de origem do PT. É conhecido na região pela intensa atividade sindical.

Segundo o processo interno aberto pela Receita para investigar o episódio, apenas uma mesa vazia separa Hamilton Mathias do computador de Adeildda Ferreira dos Santos, usado para violar os dados fiscais de Eduardo Jorge e de Luiz Carlos Mendonça de Barros, Gregório Marin Preciado e Ricardo Sérgio, todos ligados ao alto comando do PSDB.

Em conversa gravada por telefone com o Estado, às 20h30 de sexta-feira, 27, Hamilton disse ser inocente e estar tranquilo. Afirmou que não pode comentar o episódio porque o processo corre sob sigilo e os servidores da agência da Receita em Mauá, onde o dado fiscal foi quebrado, foram orientados a não comentar o assunto.Ele já foi ouvido uma vez em depoimento prestado à Corregedoria da Receita no dia 2 de agosto. Naquele dia, negou qualquer envolvimento na consulta ilegal aos dados dos tucanos.

Desde 2003, o Sindireceita agraciou políticos do PT com a medalha "“Mérito Público Evandro Lins e Silva". Entre os agraciados estão os deputados Antonio Palocci e João Paulo Cunha.

Questionado pela Corregedoria da Receita se tem ligações políticas, o sindicalista Hamilton Mathias afirmou que "não é filiado, mas por residir em cidade pequena, Ribeirão Pires/SP, conhece o prefeito que é filiado ao PV, o vice-prefeito, e outras pessoas filiadas a partidos políticos diversos". Ele negou conhecer Eduardo Jorge e disse que nunca recebeu qualquer ordem para acessar os seus dados.

Ele, no entanto, admitiu que sabia que Adeildda tinha a senha da servidora Antonia Aparecida Rodrigues dos Santos Neves Silva. "A própria Antonia contou-lhe", segundo o depoimento. O código dela foi usado, a partir do computador de Adeildda, para consultar e imprimir as declarações de renda dos tucanos no dia 8 de outubro do ano passado.

Em nota divulgada na sexta-feira à noite, Antonia voltou a negar envolvimento com episódio e desmentiu as acusações feitas pela Corregedoria da Receita de que há indícios de um esquema de venda de dados fiscais na agência de Mauá. Em depoimento à corregedoria, ela afirmou que emprestou a senha a Adeildda e à funcionária Ana Maria Cano, mas as duas também dizem que não têm responsabilidade no episódio.

Além de Hamilton Mathias, a Corregedoria já ouviu as outras duas pessoas que, teoricamente, trabalham na mesma sala onde os sigilos foram violados: Júlio Cezar Bertoldo e Gisleine Morgado. Ambos também negam participação na quebra dos sigilos fiscais dos tucanos.

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