Antonio Cruz/Agência Senado
Antonio Cruz/Agência Senado

Simone Tebet se lança ao Senado e divide MDB

Senadora confirma intenção de concorrer à presidência da Casa e vira ‘plano B’ do partido; Renan fala em deixar disputa

Renan Truffi, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2019 | 19h17
Atualizado 22 de janeiro de 2019 | 10h47

BRASÍLIA - Vista como uma espécie de “plano B” do MDB, a senadora Simone Tebet (MDB-MS) decidiu se antecipar e oficializou, nesta segunda-feira, 21, sua intenção de disputar contra o senador Renan Calheiros (MDB-AL) a preferência da bancada do partido para a eleição de presidente do Senado. Renan é um dos nomes fortes para a disputa, mas é considerado um parlamentar hostil ao governo Jair Bolsonaro.

Simone conversou com o presidente do MDB, Romero Jucá (RR), e comunicou suas intenções no fim da tarde desta segunda. O movimento não estava previsto até a semana passada e a senadora era tratada como uma espécie de alternativa a Renan, já que ele sofre resistência de parte da opinião pública por estar identificado com a “velha política” – semana passada, o Estado havia mostrado que a eleição no Senado seria marcada pelo ‘anti-Renan’.

Em nota na qual anunciou sua decisão, Simone faz referência justamente ao “recado das urnas”, em tom de contraposição à candidatura do alagoano.

“Coloco minha candidatura em defesa da independência, da autonomia, da soberania do Senado, que será a ponte de travessia para todas as saídas econômicas, sociais, regionais e políticas para o País. É preciso resgatar e fortalecer o papel constitucional do Senado Federal. Além disso, devemos absorver o recado das urnas, que clamou por renovação na política e, consequentemente, no Senado”, disse em nota. “É um novo tempo, são novos ventos. É hora de olhar para a frente e nos reinventarmos, sob pena de sucumbirmos. Há um clamor por renovação. Por isso, coloco a minha candidatura na bancada”.

Renan usou o Twitter para dizer que não tem intenção de ser novamente presidente do Senado Federal. “Os alagoanos me reelegeram para ser um bom senador, não presidente”, afirmou. “Já fui várias vezes (presidente do Senado), em momentos também difíceis. A decisão caberá à bancada, e temos outros nomes”, escreveu Renan, que já presidiu a Casa por quatro vezes.

Apesar da fala, Renan ainda pode ser considerado candidato dentro do partido. A bancada do MDB irá decidir se indica Renan, Simone ou eventuais outros candidatos do partido a partir da próxima terça-feira, quando os emedebistas vão iniciar o debate para saber quem é a melhor opção. Ao todo, o MDB terá 12 parlamentares a partir de 2019 e, atualmente, a bancada estaria dividida. 

Até a semana passada, interlocutores de Simone enxergavam uma leve vantagem para Renan, mas agora dizem que o cenário oscila entre empate ou vantagem para ela.

Candidatura de Simone é vista com simpatia até por outros concorrentes

A candidatura de Simone é vista com simpatia até mesmo por candidaturas lançadas em oposição a Renan. O senadores Major Olímpio (PSL-SP) e Tasso Jereissati (PSDB-CE) já chegaram a declarar ao Estadão/Broadcast que podem abrir mão de suas candidaturas ao comando da Casa se o MDB optar pelo nome da senadora do Mato Grosso do Sul.

Renan, que tenta reverter a imagem de que representa a política tradicional, chegou a chamar Tasso de “coronel da política” e também tem atacado o procurador federal Deltan Dallagnol, coordenador da Operação Lava Jato em Curitiba. Dallagnol lidera uma campanha online para que a votação não ocorra por voto secreto, como garante o regimento do Senado. No entanto, o Supremo Tribunal Federal já determinou que a votação seja fechada.

Nesta segunda, o STF reviu decisão do ministro Luiz Fux que enviava para a Justiça Federal ação popular contra eventual candidatura de Renan.

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