Simon vê ''sexta-feira melancólica'' no dia do fico

Apenas um colega de partido do senador petista estava no plenário

Eugênia Lopes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

22 de agosto de 2009 | 00h00

Em uma sessão vazia, com a presença de apenas cinco senadores, e melancólica, conforme definição do senador Pedro Simon (PMDB-RS), o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), sacramentou ontem seu recuo e anunciou a permanência na liderança do partido. Apesar do ar histórico que Mercadante tentou imprimir ao momento, nos 24 minutos em que discursou, nenhum dos senadores presentes - entre eles, um petista - pareceu sensibilizado por suas palavras ou se deu ao trabalho de interrompê-lo para fazer qualquer comentário. Ao final, com Mercadante já fora do plenário, o senador gaúcho sentenciou: "Por que chegamos à situação em que estamos neste momento? Uma sexta-feira melancólica, parece até uma Sexta-Feira Santa ou um Dia dos Mortos", disse Simon. O momento mais emocionante do "dia do fico" de Mercadante acabou sendo protagonizado pela senadora Marina Silva (AC), que deixou o PT esta semana, e irrompeu plenário adentro para abraçar seu antigo companheiro de partido. "A governabilidade não se estabelece a qualquer custo, a qualquer preço", observou Marina, ao deixar o plenário. "Ele (Mercadante) é um líder meio sonâmbulo no Senado. Ele será apenas o líder do diálogo e não da construção", sintetizou o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), ao declarar que o Senado "virou um anexo do Palácio do Planalto". Único petista presente, Augusto Botelho (RR) comemorou a permanência de Mercadante no cargo, que qualificou como um "ato de grandeza". Botelho parecia, no entanto, mais preocupado em desmentir uma notícia que dava como certa a sua saída do PT do que comentar o imbróglio envolvendo Mercadante.Durante o discurso de Mercadante, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), permaneceu em seu gabinete particular. Segundo assessores, ele assistiu ao pronunciamento pela televisão. Eduardo Suplicy (PT-SP) foi ao plenário no início da manhã e avisou que o líder do PT iria fazer um pronunciamento. Mas embarcou para São Paulo sem ouvir o colega. Primeiro a discursar logo depois da fala do petista, Simon defendeu que Mercadante mantenha a posição de que o PT errou ao absolver o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Do contrário, o peemedebista disse que a imagem do petista ficará comprometida na instituição. "Ele (Mercadante) só tem legitimidade se não se enquadrar. Ele pode até ficar sem poder, mas deve ficar com o discurso. Se ele se enquadrar, acabou o Mercadante", argumentou Simon. Para ele, a carta enviada por Lula com o apelo para que o líder petista permanecesse no cargo foi "encomendada". Simon voltou a cobrar a saída de Sarney do cargo. "Com toda a sinceridade, o que eu dizia aqui, há um mês, que cabia ao presidente José Sarney ter a grandeza de se licenciar, e nós conduziríamos este processo com a tranquilidade necessária... É importante salientar: não foi nenhum senador, não foi nenhum deputado, não foi nenhum líder, não foi o Estado de S. Paulo, não foi nenhum jornal que fez as denúncias contra o senador Sarney. Isto é muito importante - e até muito engraçado. As denúncias saíram da Polícia Federal do governo Lula."

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.