Simon responsabiliza Lula por pior dia da crise no Senado

Em discurso, gaúcho diz que presidente não mediu esforços em apoio ao presidente da Casa

, O Estadao de S.Paulo

08 de agosto de 2009 | 00h00

Ao falar de improviso, após discurso em que homenageou o vice-presidente José Alencar, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) atribuiu ontem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva a responsabilidade pela crise que vive o Senado. De acordo com o senador gaúcho, o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), "consegue resistir no cargo graças à ação de Lula, que não mediu esforços para garantir o aliado, mesmo recorrendo a métodos grosseiros". Ele voltou a defender a saída de Sarney da presidência do Senado. A avaliação de Simon teve ao apoio explícito dos senadores Cristovam Buarque (PDT-DF) e do senador Álvaro Dias (PSDB-PR). "Subscrevo o discurso do senhor para economizar tempo", afirmou Álvaro Dias. Além desses três senadores, outros quatro estavam no plenário - Paulo Paim (PT-RS), Mozarildo Cavalcanti (PP-RR), Wellington Salgado (PMDB-MG) e Eduardo Suplicy (PT-SP). Para Simon, foi o presidente "quem deu força (a Sarney)" para permanecer no cargo, tornando-se o único vitorioso com a crise política do Senado. "O Sarney fez o que ele achou que deveria fazer. Equivocou-se. A vitória foi de Sarney? A vitória foi do Renan (Calheiros, líder do PMDB na Casa)? A vitória foi dos combatentes? Não. A vitória foi de Lula." Segundo o senador gaúcho, os meios políticos usados na negociação foram "humilhantes" e "grosseiros". Em sua opinião, o presidente fez, "de uma maneira grosseira, o que nenhum ditador ou general de plantão fez com o Congresso Nacional". E incluiu o PT na análise. "Humilhando seu próprio partido, o líder da sua bancada, a sua bancada, o presidente tomou uma posição acima do bem e do mal", argumentou. "Muito triste. Ele ganhou, ele é o herói. Mas a imprensa está publicando a foto do Lula, do Renan, do Sarney e do (senador Fernando) Collor. Essa é a equipe forte do governo." Simon sugeriu que Lula "deveria ouvir mais pessoas como (o vice) Alencar e Frei Betto, ao invés de se aconselhar com Renan Calheiros". Lamentando que os conselheiros atuais de Lula não sejam mais as pessoas "que ajudaram a transformar o PT em uma organização de ideias e princípios", Simon completou: "Os homens e os heróis de Lula, hoje, são o doutor Sarney, o doutor Renan, o doutor Collor." A "vaidade", na opinião do senador gaúcho, é hoje o "o problema sério" do presidente Lula.

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