Simon prevê ''''rolo compressor''''

Para senador, governo vai forçar a aprovação da CPMF

Ana Paula Scinocca e Expedito Filho, O Estadao de S.Paulo

07 Setembro 2015 | 00h00

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) afirmou ontem estar convencido de que o Planalto vai "comprar a alma" dos parlamentares e "passar o rolo compressor" para conseguir aprovar a prorrogação da CPMF. "Vou votar contra, mas não acredito que passe a rejeição, porque eles vão comprar a alma das pessoas", acusou. Para Simon, não adianta a oposição resistir, porque "o governo fala e (libera) emenda".Ele reclamou ontem da decisão dos colegas de absolver Renan Calheiros (PMDB-AL) e disse que recebeu mais de 4 mil e-mails "dando pau no Senado". Não comentou, porém, se havia eleitores cobrando posição dele em relação à ameaça velada feita por Renan na sessão secreta da quarta-feira. Tanto Simon como Jefferson Peres (PDT-AM) procuraram minimizar as insinuações de Renan, durante discurso na sessão secreta da última quarta-feira.Ali, ao fazer a sua defesa, Renan teria enviado recados aos dois. Já eles vêem distorções da imprensa. Em um dos trechos, Renan teria dito a Peres: "Se quisesse confundir o público com o privado, teria contratado Mônica Veloso", em alusão a Marlídice, mulher do senador, que trabalha no Senado.O parlamentar amazonense disse que não se lembra de ofensa ou insinuação feita por Renan. Ao contrário, considera que a citação foi respeitosa. "Ele se dirigiu de forma leve e educada. Foi uma deferência", minimizou. Ainda assim, Peres, meio a contragosto, disse que vai interpelar Renan. "Vou procurá-lo para saber se ele disse isso. Vou interpelá-lo da tribuna na próxima semana."O senador confirmou que sua mulher costuma ir ao seu gabinete para fazer trabalhos ligados à Amazônia, mas assegurou que ela não tem vínculos empregatícios e nem sequer recebe salário do Legislativo. "Ela é juíza aposentada e às vezes vai ao gabinete. E o Renan sabe muito bem disso", afirmou. Simon ficou irritado com a versão de que Renan teria levantado suspeitas sobre ele em torno da contratação de uma empresa de publicidade com dinheiro do Senado. Ele disse que a versão divulgada pela imprensa gaúcha não era verdadeira."Isso foi uma cachorrada. Se o Renan tivesse feito isso, seria uma cafajestada. E ele já me disse que não fez", reagiu. "Eu tenho 55 anos de vida pública, nunca utilizei o dinheiro público para coisa alguma."

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