PABLO VALADARES/AE
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Simon e Dias atribuem a crise ao apoio de Lula a Sarney

Senadores alegam que presidente só respalda peemedebista para não perder apoio a Dilma em 2010

Carol Pires, da Agência Estado,

07 de agosto de 2009 | 13h31

Os senadores Pedro Simon (PMDB-RS) e Álvaro Dias (PSDB-PR) disseram nesta sexta-feira, 7, que atribuem a crise do Senado ao apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à permanência de José Sarney (PMDB-AP) na presidência da Casa.

 

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Na avaliação deles, que defendem o afastamento de Sarney do comando do Senado, Lula continua defendendo o presidente porque não quer perder o apoio do PMDB à candidatura da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, à presidência da República em 2010.

 

"O chefe, o comandante, é o presidente Lula. Ele foi o responsável (pela crise). Se não tivesse o presidente Lula, o Sarney não seria candidato (à presidência do Senado), e o Sarney teria ido para casa", opinou o senador Pedro Simon, em referência à eleição para presidência do Senado, quando José Sarney foi apoiado pelo presidente Lula e venceu a disputa contra o candidato petista Tião Viana (PT-AC).

 

"Há conexões entre as ações daqui e do Palácio do Planalto. Há participação ativa do governo nisso tudo. A questão eleitoral teve peso, a conquista pelo PMDB a tentativa de mantê-lo com Dilma. Ele interferiu sempre, desde a eleição até mantê-lo na presidência na crise", endossou Álvaro Dias.

 

Idas e vindas

 

De fato, o PT tem sido o ponto de equilíbrio para que Sarney se mantenha vivo no Senado. Embora em várias ocasiões tenha defendido o afastamento temporário de Sarney da presidência, a bancada do partido na Casa tem evitado se alinhar aos partidos de oposição.

 

Na quinta-feira, 6, o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), recusou-se a assinar um manifesto encabeçado pelo PSDB, DEM, PDT e PSOL, pedindo o afastamento de Sarney enquanto são apuradas as denúncias contra ele.

 

"Não marchamos com a oposição porque temos divergências históricas", disse Mercadante.

 

A posição dúbia de Mercadante reflete uma série de manobras executadas pelo PT desde o início da crise. Num primeiro momento, o partido chegou a fechar posição pelo afastamento de Sarney. Mas, depois de uma reprimenda de Lula, os senadores tiveram que baixar o tom.

 

Há dez dias, ele foi enquadrado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que mandou desautorizar sua nota defendendo a licença de Sarney

 

Nesta terça-feira, 4, Mercadante desmarcou reunião da bancada sobre a crise no Senado. Mais uma vez, Lula pediu ao petista que não convocasse a bancada e se entendesse com o líder do PMDB, Renan Calheiros.

Assim foi feito. Mercadante e Renan chegaram a acordo. "Está um cheiro de gasolina terrível. O primeiro que riscar fósforo explode", disse.

 

"A posição da bancada é pela licença de Sarney. Não vamos fazer o jogo da oposição."

 

Na reunião de Agripino com o DEM, a tese da licença de Sarney foi a vitoriosa. O DEM também recuou da decisão de entrar com representação no Conselho de Ética.

 

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