Simon diz que todo Senado é responsável por atos irregulares

Senador do PMDB falou após discurso de Sarney, que se defendeu de acusações e irregularidades no Senado

Sandra Manfrini, da Agência Estado,

16 de junho de 2009 | 19h08

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse nesta terça-feira, 16, no plenário, que todo o Senado é responsável pelos atos irregulares que possam ter ocorrido na Casa. "A culpa não é dele (presidente José Sarney). A culpa é de todo o Senado. A grande verdade é que temos de debater se as coisas acontecem pelas nossas ações ou pelas nossas omissões. Se votamos atos sem ninguém ter conhecimento do que se tratava, somos todos responsáveis", disse Simon, depois do discurso do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para se defender das acusações de práticas de nepotismos e outras irregularidades.

 

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Simon propôs que o Senado passe a ter uma reunião administrativa mensal, reunindo a Mesa Diretora e os líderes partidários, na qual seria votada a pauta do mês e decididas questões como aumento salarial, autorização de viagens internacionais de senadores, nomeações e outros atos importantes. "Todos ficam sabendo e todos votam. A Casa no seu conjunto tem de participar. E isso tem de ser feito a partir de agora", disse.

 

O senador destacou ainda a importância do debate que ocorreu hoje, a partir do discurso do presidente José Sarney, lembrando que, em meio às discussões sobre a instalação da CPI da Petrobras, todos pararam para discutir as acusações que vêm sendo feitas contra a Casa. "A imprensa está cobrando. Atirando pedras. Eu estou preocupado em como mudar a imagem desta Casa. Nunca esteve tão ruim. Falar mal do Congresso, da classe política, sempre se falou. Mas, hoje se fala mal não do Congresso, da política, mas do Senado Federal. Nós temos de responder", disse Simon.

 

O senador Osmar Dias (PDT-PR) discordou de Simon e disse que só se sentirá responsável pelos atos da Mesa quando a mesma informar aos senadores o que foi feito. "Antes disso, não posso me sentir responsável", disse.

 

O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) aproveitou sua intervenção para defender a profissionalização da administração do Senado. Ele também concorda com proposta já apresentada pelo líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), de que a indicação do diretor-geral da Casa deve passar pelo plenário. Ele ressaltou ainda que o Senado deve buscar ao máximo a transparência. "Manter relações com a sociedade tem custos, tem preço. A democracia é assim mesmo", disse.

 

O senador Papaléo Paes (PSDB-AP) destacou que, se a imprensa publicou a existência de atos secretos que existiam na gaveta do Senado, isso foi resultado de uma auditoria contratada pela Casa, à Fundação Getúlio Vargas (FGV), que detectou a existência de anormalidades na Casa. "Então, a FGV detectou uma série de anormalidades aqui, que não caracterizam anormalidades, alguns vícios administrativos. Esses vícios foram levados à mesa da Casa para serem tomadas providências", disse.

 

Ele aproveitou para destacar a importância da CPI da Petrobras, que segundo ele, "é um ato de grandeza dessa Casa".

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