Simon deve anunciar hoje que não quer bater chapa com Itamar

Neste último dia de atividades do Congresso antes do recesso parlamentar, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) deve ocupar a tribuna do Senado para tratar da polêmica instalada no PMDB. Pré-candidato à sucessão presidencial, o senador disse que não pretende liderar uma chapa ao diretório nacional para disputar, na convenção de setembro, com os aliados do governador Itamar Franco (MG), como vem sendo cogitado pela ala governista. Simon vai desautorizar qualquer manobra para enfraquecer a posição de Itamar, com quem mantém bom relacionamento. O grupo do PMDB ligado ao Palácio do Planalto trabalha em algumas frentes para inviabilizar a candidatura de Itamar à presidência da República e, ao mesmo tempo, evitar que o ex-deputado Paes de Andrade retorne ao comando peemedebista. Se não conseguir montar uma chapa com a presença de figuras expressivas como, por exemplo, Simon e o governador Jarbas Vasconcelos (PE) para disputar com Paes, que é aliado de Itamar, a ala governista poderá tentar adiar a convenção para outubro. Essa última alternativa seria fatal para Itamar. Na hipótese de o grupo do governador mineiro fracassar na convenção de setembro, ele não teria tempo suficiente para ingressar em outra legenda. Os candidatos têm até a primeira semana de outubro para trocar de partido. De novo, a saída SarneyOutra articulação da ala governista do PMDB é a montagem de uma chapa de consenso encabeçada pelo senador José Sarney (PMDB-AP). Essa negociação está sendo feita pessoalmente pelo líder do PMDB, senador Renan Calheiros (AL). Sarney já deu sinais positivos. Mas não foge ao estilo: aceita a missão desde que seja candidato de consenso. O ex-presidente é amigo de Itamar Franco e não deseja rupturas. As conversas com Sarney estão sendo estimuladas pelo presidente Fernando Henrique. A eleição do ex-presidente para o comando do PMDB poderia melhorar a imagem do partido e reaglutinar as forças internas. Integrantes da ala governista, no entanto, reconhecem que uma eventual manobra para inviabilizar a candidatura de Itamar Franco à sucessão presidencial poderia ter resultados imprevisíveis. Hoje, a maioria do PMDB considera difícil deter a candidatura de Itamar e, sobretudo, impedir que seu nome seja lançado na convenção de setembro, destinada a eleger o novo comando partidário. Ninguém no PMDB estaria disposto a abandonar um candidato com preferência nas pesquisas eleitorais em favor de uma aliança arriscada com o PSDB e PFL, os outros dois parceiros do governo Fernando Henrique Cardoso.

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