Símbolo mundial, Marina foi deputada mais votada do AC

Desde cedo Maria Osmarina da Silva Vaz de Lima pregou na vida os mitos aprendidos na infância, vivida na floresta. O substrato ideológico viria depois, mas ela percebeu logo que não é possível viver na Amazônia sem se comportar como um ser da floresta. Aos poucos, entendeu que as lendas ouvidas no seringal Bagaço, a 70 quilômetros de Rio Branco, no início da década dos 60, ensinavam dois conceitos: um, que a natureza é generosa; outro, que ela tem limites que devem ser respeitados. Na esteira do mito de Chico Mendes, ela se tornou um símbolo mundial e foi deputada estadual mais votada do Acre e senadora. Em sua infância, as lendas narradas pela avó moldaram sua consciência amazônica. Quando tinha 14 anos, não sabia mais que ver horas e praticar as quatro operações matemáticas. Aos 16, pouco após a morte da mãe, uma hepatite quase a levou. Para estudar tardiamente, tornou-se empregada doméstica em Rio Branco. Aos 17, a caminho de ser freira, conheceu Chico Mendes e Clodovil Boff. A superiora a advertiu: ?Cuidado, são comunistas?. Marina não sabia o que era isso. Um dia, na missa, viu o cartaz: ?Curso de lideranças rurais?. Pensou consigo: ?É agora que vou descobrir o que é esse tal de comunismo?.Venceu o analfabetismo com dois supletivos e, pouco depois, escapou de uma nova hepatite. Formou-se em Teologia da Libertação e cursou História. Ela se tornou a pessoa mais próxima a Chico Mendes. Com ele, fundou a Central Única dos Trabalhadores (CUT) no Acre, ele de presidente, ela de vice. Em 1986 concorreram juntos, ela para deputada federal e ele, para deputado estadual. Perderam. Quando Chico foi assassinado, em 1988, Marina assumiu a CUT e a política do Acre. Entre uma campanha e outra, descobriu que desde a infância tinha o organismo contaminado por metais pesados, por conta de beber água dos rios de garimpo. No ministério, perdeu a luta contra os transgênicos, contra a usina nuclear de Angra 3 e não conseguiu aprovar uma Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) mais ambientalista. Mas ganhou na legislação para concessão e gestão florestal. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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