Silvio Santos diz que Alckmin ajudou nas negociações

O empresário e apresentador de TV Silvio Santos concedeu esta manhã uma entrevista, por telefone, à reportagem da Rádio Jovem Pan, pouco depois de chegar à sede do Sistema Brasileiro de Televisão (SBT). Silvio Santos ligou para a emissora para comentar o episódio de ontem, quando ficou como refém do seqüestrador Fernando Dutra Pinto em sua própria casa. Ele elogiou o governador Geraldo Alckmin por ter atendido seu pedido e se dirigido a sua mansão: "Posso garantir que, se o governador não fosse ontem à minha casa - tenho certeza, não é um palpite -, eu poderia ter morrido. O Fernando certamente morreria e mataria três ou quatro policiais que lá estavam. O Fernando não queria ir preso de forma alguma. Ele nunca esteve numa prisão, conversou comigo e disse que tinha uma possibilidade em 100 de entrar na minha casa, mas que essa era a única forma de não matar e de não morrer".O empresário revelou que, desde a primeira carta que recebeu de Fernando, o seqüestrador garantiu que não seria preso, ou mataria ou morreria. Por isso, concluiu, se o governador não fosse até sua residência, o pior certamente teria acontecido: "Eu estava lá, vi a situação toda, a Polícia Militar, eu vi o esforço que todos fizeram, ele (Fernando) estava com duas armas, carregadas. Ele estava tranqüilo e absolutamente convencido de que, com 22 anos idade, nunca tinha sido preso, não queria entrar numa penitenciária e só sairia de lá se o governador garantisse que ele não morreria ao sair. Se o governador não fosse lá, tenho certeza de que o Fernando me mataria e ele, antes de morrer, mataria mais uns quatro ou cinco. Ele é incrivelmente rápido e tem uma inteligência fora do comum".Silvio Santos se mostrou irritado em relação às críticas que estão sendo feitas à conduta de Geraldo Alckmin e ligou para a emissora exatamente para defender o governador. "O que estão comentando sobre o governador Geraldo Alckmin é uma injustiça porque ninguém estava lá nos acontecimentos. Era grande a quantidade de policiais militares com capacetes e escudos, mas a coragem que o Fernando tinha de morrer era a mesma de também me matar, se isso fosse necessário, e matar quantos policiais ele pudesse matar antes de morrer".O apresentador reiterou que a polícia sempre deve ser comunicada pelas famílias que tenham algum parente vítima de seqüestro. "Eu sei que cada caso é um caso, eu conversei longamente com os policiais especializados da Delegacia Anti-Seqüestro, fiquei sete ou oito dias conversando com eles. Diante da experiência que eu tive, a polícia é que deve orientar a imprensa sobre se deve ou não fazer a divulgação do seqüestro. Em alguns casos, a polícia vai achar que deve, em outros, vai achar que não. Os homens da Delegacia Anti-Seqüestro são muito experimentados, estão lá há 15 anos lidando com seqüestros".Ele lembrou que, de todos os casos de seqüestro registrados este ano em São Paulo em que houve intervenção da polícia, apenas uma vítima morreu porque o cativeiro onde se encontrava pegou fogo. No caso do Fernando, porém, a situação foi diferente porque o seqüestrador estava disposto a morrer, não queria se entregar e ir para a cadeia de nenhuma forma.Silvio Santos se recusou a responder a outras perguntas sobre o caso, ressaltando que só telefonou à emissora por causa das críticas que estavam sendo feitas contra o governador Geraldo Alckmin. Ele assegurou que não dará entrevista coletiva e não falará com mais ninguém da imprensa nesta sexta-feira.

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