Silvinho conclui serviço comunitário

Ex-secretário-geral do PT obtém suspensão de processo criminal

Roberto Almeida, O Estadao de S.Paulo

10 de maio de 2009 | 00h00

O ex-secretário-geral do PT, Silvio Pereira, o Silvinho, terminou de cumprir sua prestação de serviços comunitários na subprefeitura do Butantã, na zona oeste de São Paulo. Desde o dia 19 de março do ano passado, ele trabalhou 750 horas - oito horas por dia, duas vezes por semana. Com isso, conseguiu uma suspensão condicional do processo criminal por formação de quadrilha no caso do mensalão.Porém, para extinguir definitivamente o processo, que está apenas suspenso, Silvinho tem outra obrigação: ele não pode cometer crime até 24 de janeiro de 2011. Segundo seu advogado, Gustavo Badaró, o ex-secretário-geral do PT não tem a intenção de voltar para a política e continuará a administrar o restaurante da família, em Osasco, na Grande São Paulo.Silvinho foi o único dos 40 réus do mensalão contemplado pela Procuradoria-Geral da República com um acordo homologado pela Justiça. Isto porque ele foi denunciado por apenas um crime, o de formação de quadrilha, em que a pena mínima não é superior a 1 ano de prisão.O ex-secretário-geral do PT só reclamou uma vez, e logo no primeiro dia de trabalho na subprefeitura. Disse que queria cozinhar para crianças. Bateu o pé, mas não deu certo. O então subprefeito, Mauricio Pinterich, avisou que, para trabalhar ali, só com zeladoria urbana.Silvinho reapareceu uma semana depois, e aceitou a ideia. Avaliou a situação de praças, fiscalizou poda de árvores e a desobstrução de bocas-de-lobo. Em seguida, Silvinho passou a trabalhar no setor administrativo do órgão. Auxiliava na divisão de recursos humanos. Entre os funcionários, deixou a impressão de que cumpria corretamente as tarefas e, segundo a subprefeitura, nunca mais faltou ao trabalho. LAND ROVERSilvio Pereira ficou famoso por ter recebido de presente, em 2004, um jipe Land Rover no valor de R$ 74 mil do vice-presidente da empresa baiana GDK, César Roberto Santos de Oliveira. A GDK havia acabado de vencer uma licitação de R$ 250 milhões para reformar a plataforma P-34 da Petrobrás, no Espírito Santo.Silvinho dizia que havia comprado o carro, mas acabou desmentido pela GDK. Oliveira declarou, à época, que o Land Rover foi dado "por livre e espontânea vontade". Com o escândalo, ele pediu a desfiliação do PT, antes de uma degola iminente. De braço-direito do ex-chefe da Casa Civil, José Dirceu e representante do PT na negociação de cargos no governo, Silvinho passou a acusar o partido de ter virado um "mar de lama" e de tentar arrecadar R$ 1 bilhão por meio do publicitário Marcos Valério, no esquema que ficou conhecido como valerioduto. O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse na ocasião que Silvinho era uma pessoa "atormentada espiritualmente".

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