Silêncio de Duda Mendonça desagrada oposição e governistas

"Não tenho medo do julgamento", afirmou o publicitário Duda Mendonça em um dos raros momentos em que pronunciou uma frase que não fosse "não vou responder", durante seu depoimento de mais de três horas à CPI dos Correios. O publicitário mostrou-se pouco preocupado com sua própria imagem pública e optou pelo silêncio total, seguindo a estratégia de defesa determinada pelos seus advogados. A total recusa de Duda de resposta perguntas, um comportamento inédito na CPI, desagradou a todos e abriu um precedente considerado perigoso para o futuro das comissões de inquérito, na avaliação do presidente da CPI, senador Delcídio Amaral (PT-MS). Duda Mendonça conseguiu desagradar a oposição e até os governistas, sobretudo parlamentares do PT, que queriam extrair informações para amenizar as denúncias de caixa 2 da campanha do presidente Lula em 2002. Mais calmo que em 11 de agosto de 2005, quando chorou ao revelar o esquema de caixa 2 da campanha do PT à CPI dos Correios, Duda Mendonça abandonou o passionalismo e não escorregou. À riscaPraticamente o tempo todo segurou o rosto com as mãos, revezando entre a esquerda e a direita, rabiscou papel e bebeu muita água. "Às vezes, por ser muito emocional, poderia dificultar a minha defesa, e estou seguindo à risca a determinação dos advogados", disse, explicando por que optara pelo silêncio. "Será que vale a pena pagar este preço?", quis saber o petista José Eduardo Cardozo (SP). "Qual é a pena que dói mais, a dos tribunais?", perguntou o senador. "Se o senhor fosse meu advogado o que faria?", quis saber o publicitário. "Como político, eu diria: abra o seu coração", respondeu Cardozo.Dezenas de perguntas foram feitas, e apenas a uma ele respondeu. "Acredita em Deus?, indagou o deputado Carlos Willian ( PSC-MG). "Acredito, sim. Tenho certeza de que, no final de tudo isso, vou ser absolvido pela justiça dos homens. Pela justiça de Deus, tenho certeza. Em momento nenhum, ele me incriminou". Em meio a tantas críticas pelo comportamento radical adotado na CPI dos Correios, o publicitário afirmou ser um homem de caráter, íntegro e do bem.

Agencia Estado,

15 de março de 2006 | 18h32

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