Silas Rondeau não esconde que gostaria de voltar ao governo

´Se o presidente me convidar para ser office-boy eu aceitaria´, disse o ex-ministro

Agencia Estado

04 de julho de 2007 | 17h25

O ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau, que deixou o cargo no final de maio sob acusação de que teria recebido propina da construtora Guatama, tem dito a amigos que avalia como "balões de ensaio" os rumores de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia reconduzi-lo ao cargo, como antecipou o Estado na edição desta terça-feira, 3. Mesmo assim, o ex-ministro não esconde que gostaria de voltar ao governo. "Se o presidente me convidar para ser office-boy eu aceitaria, sou muito grato a ele e acredito em seu governo", disse ele a um interlocutor.Desde que deixou o cargo, Silas não conversou, nem mesmo por telefone, com o presidente lula. Amigos do ex-ministro contam que ele tem ocupado todo seu tempo em sua defesa perante a Justiça. "A maior preocupação de Rondeau, agora, é preservar sua biografia", disse um amigo de Rondeau.O ex-ministro também tem negado que, caso se prove sua inocência, poderia exigir qualquer tipo de retratação da imprensa ou da Polícia Federal. De qualquer modo, ele continua avaliando que foi injustiçado. "Acredito que, no andamento do processo, isso vai ficar claro", disse ele, segundo interlocutores.Rondeau pediu demissão do cargo de ministro de Minas e Energia em maio passado, depois de ter sido acusado de ter recebido dinheiro da empreiteira Gautama, empresa que, segundo a PF, seria o centro de um esquema de irregularidades em licitações de obras públicas.A situação política de Rondeau se complicou, na época, por conta de imagens gravadas pelo circuito interno de TV do ministério, que mostravam a diretora da Gautama Maria de Fátima Palmeira junto com um assessor de Rondeau, Ivo Almeida Costa. O assessor do ex-ministro segurava um papel em suas mãos que, segundo a PF informou na época, seria um envelope com R$ 100 mil.Na semana passada, porém, um laudo do perito da Unicamp Ricardo Molina concluiu que o objeto nas mãos de Costa deveria ser um envelope vazio ou um papel em branco, e não um envelope cheio de dinheiro.Lula cogita volta de SilasEm reunião da coordenação política do governo, o ministro da Justiça, Tarso Genro, disse ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que não há provas contra o ex-ministro de Minas e Energia Silas Rondeau - abatido pela Operação Navalha da Polícia Federal. Lula repetiu, no encontro do Palácio da Alvorada, que avalia a possibilidade de reconduzi-lo ao cargo na próxima semana. "Eu examinei as peças, depois que o processo se tornou público, e não vi até agora nenhum delito que possa ser imputado ou provado contra Silas Rondeau", disse Tarso. O ministro ressalvou, porém, que não é autoridade adequada para fazer juízo do caso. "Temos de aguardar o Ministério Público e o Judiciário se manifestarem".Antes mesmo da decisão final de Lula sobre o retorno de Rondeau, o PMDB - que enfrenta uma crise atrás da outra, puxada pela dramática situação do presidente do Senado, Renan Calheiros (AL) - já fazia o desagravo do ex-ministro. "Chamar Silas de volta seria um ato de coragem do presidente, que nós aplaudiríamos pela coerência e justiça", resumiu o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). A todos que o procuraram, Rondeau disse que, se Lula quiser, está pronto a retornar ao governo.Colaboraram Vannildo Mendes e Vera Rosa

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